Uma luz se apaga no Planalto Central.

Pioneiro de Brasília, candango do Jornalismo maiúsculo, Ronan chega a Brasília, em 1957, quando a capital do Brasil era sonho de poucos contra a oposição de muitos. Juscelino, Israel, Niemeyer, Bernardo Sayão, rompem a fronteira do novo Brasil. Brasília da Novacap é terra vermelha, poeira e, quando chove, barro. Não tem bares nem pinga, como na sua amada Araxá; tem álcool com água e açúcar, o “desdobro”. E trabalho. 

25 de Agosto de 1961. J...

Os mesmos que mataram uma vez a política, radicalizando a voz do entendimento, andam a dizer que o jornalismo está em extinção.

O jornalismo nunca andou tão vivo, tão urgente e tão necessário.

Um breve passeio pelo mundo e o que vemos nas relações entre os países? Conflitos, desentendimentos, blefes, guerras de tweets e confrontos reais, criando uma instabilidade generalizada entre potências impotentes. Com a crise da globalização, completada a pilhagem e o entesouramento das riquezas disponíveis,...

Quando se supunha que as coisas estão a andar de ponta-cabeça, pondo tudo e nada fora do lugar como uma epidemia da loucura, eis que chega a confirmação: a moda, agora, é tomar sol no períneo.

Havia antes os que nasciam com ele para a lua, os sortudos. Segundo a nova doutrina – que afinal não é tão nova (trata-se de segredo taoísta milenar, somente agora revelado nas redes sociais), não é por ali que apenas entra a sorte; entra também o sopro da vida, que é como se pode chamar essa prática d...

Então, alguém aí já viu partido unido? Partido é partido, meudeusdocéu. Agora, me acusam de rachar o partido! Já não é partido? Se é partido, já está rachado! Não tem nada dessa história de partido inteiro, ora essa. Partido bom é partido rachado! É como laranja: tem que partir para chupar. Você votou no partido? Chuuuupa! 

E agora, hein, vem este levante do Peru e esta revolta no Ecuador. Bem essa no Ecuador deve doer um bocadinho... Mas não é a isso que quero me referir: é que to...

Vai chegar um tempo de pensamentos tão rasos, que não será possível elucubrar além de uma frase. Já não há espaço para ensaios de Montaigne, para pensamentos de Pascal ou para memoriais de Diderot. Não só os grandes argumentos não serão lidos, por falta de tempo ou interesse, como sequer serão compreendidos ou assimilados para o esforço saudável da contra-argumentação e do debate. Cairão no vazio disruptivo das mentes ocas. O tempo que chega será, no máximo, o tempo das máximas ou mínimas, haika...

Valha-me deus, quem é este cavaleiro de triste figura que adentra o covil da ONU dando coices? O governo Figueiredo acabou faz tempo, e também os tempos medievais das cavalarias, ô do cavalo! Será o Bóris, será o Donald?
Rocinante!!! Como vai? Ou melhor, como vem? Que bom reencontrá-lo por esta paragem surreal. Que faz por aqui? Sabe bem, ó Rocinante, que também sou da cavalaria. Também sei dar meus coices, talquei?
Em mim ninguém monta, não. Eu fui eleito. Diziam que, depois da posse,...

Amo meu povo!

Imenso país, de ventura tamanha! Qual seria seu destino sem o mito que agora o guia?

Estou saturado de minha sabedoria, como alguém que comeu demais e que, apenas dia sim, dia não, deve aliviar o excesso. 

Sei que o povo se rejubila de minha sensatez que a uns parece insana loucura, a outros, pura imbecilidade e, a outros, pior ainda, boçalidade impura.

Amo a deus e nele me vejo. E não aos idiotas úteis, por ser inútil e por serem inúteis. 

Subindo a montanha, ninguém poderá dizer...

A política nem sempre é feita de belas palavras.
Ainda que elevada à categoria de arte, a política não é para poetas, embora não deva ser feita aos coices e pescoções como nas brigas de esquina.
Como no “meu reino por um cavalo” shakespeareano, o Brasil espera, com ansiedade já trimestral, que o candidato Bolsonaro apeie do “Cavalão” e acerte o passo, indo afinal sentar-se na cadeira de presidente, abdicando da persona de militante dos tuítes da madrugada. Ora, ou isso se fará logo, como numa fr...

Não foi a eleição da TV, das pesquisas eleitoreiras e da propaganda dos marqueteiros: a retórica foi baixa, de baixo nível também a oratória: entre agressões e muita palmatória, pouco se ouviu de planos, projetos e sonhos.
Pelos rosnares ranzinzas, tampouco foi a eleição da verdade e da informação. Nem da amizade democrática, nem da camaradagem política: prevaleceu a narrativa midiática irracional das redes anti-sociais, terra de ninguém onde ninguém parece ter razão.
Os velhos polític...

Perda irreparável, tragédia incalculável, comoção cultural bradam aos ventos pelas ventas as autoridades politicantes que, de tempos a esta parte, tomaram, como Nero, o gosto de atear fogo na responsabilidade pública.

Em nome do rigor orçamentário, continuam a irrigar federações e clubes de futebol com polpudas verbas das loterias e sequer se lembram de botar umas minguadas fichas em favor da Loto Cultural. Desvios arrastam as águas dos recursos da Lei Rouanet para projetos carimbados.

Há 40 anos,...

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Eduardo Simbalista
Jornalista