Um juiz provinciano trava a Província.


Coisas da nossa língua: província é um território, uma parte autônoma de uma coisa maior. Vem de Roma, que se organizava em províncias.

provinciano é uma pessoa que não tem o refinamento da corte, uma pessoa deslocada do eixo.

Assim é que um juiz criminal de Lagarto, no interior do Sergipe, resolveu interromper o WhatsApp por 72 horas, como punição por não ter cumprido uma sentença sua.

Recentemente, numa briga de foice entre o Tio Sam e a Apple (no caso dos códigos de bloqueio do iPhone de um terrorista preso), vimos como uma nação civilizada lidou com a questão.

Mas alguns de nós vão morrer provincianos.

E toda a República - não foi só a nossa Província do Rio de Janeiro - teve uma das mais impressionantes ferramentas de comunicação do milênio, posta a nocaute por sua excelência.

O aplicativo se tornou o queridinho dos usuários de celular por milhões de razões, mas as duas principais são: porque é gratuito e porque funciona.

Para além disso, reúne as pessoas em grupos - e nós, brasileiros, somos os que mais utilizam isso em todo o globo. Permite a troca de arquivos e, de uns meses pra cá, vem oferecendo a possibilidade de ligações gratuitas para qualquer local da Galáxia, pela internet, a custo zero.

O umbigo do juiz provinciano é do tamanho do universo.

E assim ele colocou Lagarto no mapa do planeta.

Conquistou suas 72 horas de glória - ou enquanto durar seu delírio.

Ofereceu à sua progenitora bilhões de rasgados elogios e citações às vésperas do dia das mães e, mais importante do que tudo o que se disse, evidenciou que, assim como não é o voto que faz uma presidente, não é a toga que faz um magistrado.

Principalmente quando ele não deixa de ser provinciano.

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