A caminho da Luz

11/05/2016

Em maio se comemora, em todo o Brasil, a Libertação dos Escravos, o Dia das Mães e o Dia de Nossa Senhora de Fátima. Além disso, o mês inteiro é consagrado às noivas. Mas, o que eu queria falar mesmo neste artigo era sobre a mancha negra que envergonha nosso país até hoje: a escravidão!

O espaço é pequeno para assunto tão importante, mas vamos tentar enquadra-lo de forma que caiba numa crônica digital, e também possa ser entendido por todos os nossos leitores. Por trezentos anos os portugueses trouxeram escravos negros de suas colônias na África. No começo do século XVI esses nossos irmãozinhos eram vendidos como mercadoria e utilizados como mão-de-obra escrava nos engenhos de cana-de-açúcar no Nordeste do país. Eram trazidos amontoados nos porões dos navios negreiros em condições desumanas; muitos morriam devido aos maus tratos durante a viagem, e seus corpos eram jogados ao mar. E essa história de torturas e sofrimentos se prolongou até o século XIX, quando a escravidão foi mundialmente proibida.

O Brasil foi um dos últimos países a terminar com essa prática sórdida e criminosa de discriminação de seres humanos. Só em 13 de maio de 1888, com a promulgação da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, é que realmente se deu a Abolição da Escravatura em nosso país.

Durou muito tempo essa vergonha! Graças ao bom Deus e a alguns homens de bem, lutadores, sem medos, como José do Patrocínio e Rui Barbosa, abolicionistas de primeira hora, além, é claro, de outros valorosos brasileiros de vários segmentos sociais, como médicos, estudantes, jornalistas, políticos, advogados, artistas etc., se conseguiu, em 1871, a Lei do Ventre Livre, que tornava livres os filhos de escravos que nascessem após a sua promulgação; em 1885 a Lei dos Sexagenários, que beneficiava os negros com mais de 65 anos de idade e, finalmente, em 1888, a Lei Áurea, que dava liberdade total aos escravos, abolindo de vez a escravidão no Brasil.
Outro lutador incansável contra essa violência sem medida foi o poeta baiano Castro Alves, que era um defensor das liberdades públicas. Em seu poema “O Povo ao Poder”, advertiu com o seguinte verso: “A Praça! A praça é do povo, como o céu é do condor”. O poeta romântico já desenvolvia a sua poesia com teor humano e social, brindando-nos com “Vozes d’África” e “O Navio Negreiro”.

Para chegarmos ao ponto final, derramou-se muito sangue, custou a vida de muitos que viviam em liberdade em sua África e foram trazidos à força para uma terra estranha, obrigados a trabalhar de sol a sol em condições deploráveis, sob a batuta dos açoites e da chibata. Termino essas mal traçadas linhas com o último verso de “Navio Negreiro”, onde o poeta concitou o povo a recusar a sua participação em tão ignóbil traficância humana:

“Fatalidade atroz que a mente esmaga! Extingue nessa hora o brigue imundo. O trilho que Colombo abriu na vaga, como um íris no pélago profundo! Mas é infâmia demais! Da éterea plaga levantai-vos heróis do Novo Mundo. Andrada! Arranca esse pendão dos ares! Colombo! Fecha a porta de teus mares!...” 

 

Otacílio Barros é jornalista - e-mail: otacilio.barros@hotmail.com

Please reload