Conversas bizarras patrocinadas (ou não) pelo MPF


― Alo, Zé?

― Aqui não tem ninguém com esse nome, cavalheiro.

― Como assim, Zé? É o Dedé, cara!?

― Que Dedé? Não conheço nenhum Dedé…

― Pô, Zé, deixa de brincadeira. Como estão as coisas?

― Desculpe, meu caro, mas acho que foi engano.

[…]

― Oi Zé, acho que caiu… É o Dedé, cara!

[…]

― Desculpe mais uma vez, amigo, mas antes que você desligue: esse número é da casa do Dr. José Romário?

― É sim, cavalheiro. Quem deseja falar com ele?

― José Romário? É você, Zé? Zé, é o Dedé!!!

[…]

― Moço, desculpe eu insistir, mas eu estou ligando para um velho amigo, o Dr. José Romário. Ele foi Ministro no governo passado, é prefeito dessa cidade, é meu amigo de infância. Mas essa é a quarta vez que eu ligo, e a ligação cai quando eu falo meu nome. A sua voz é idêntica à do meu amigo. O Sr. pode me dizer se esse número é da casa do Zé Romário?

― Cavalheiro, esse número é da casa do José Romário, e o Sr. está falando com ele, mas eu não conheço ninguém com o nome de Dedé, e eu peço ao Sr. para não ligar mais para este número. Agora, se o Sr. me der licença…

― Peraí, Zé, é claro que é você. Você não está podendo falar agora, é isso? Mas eu preciso falar com você sobre aquela informação que você me pediu, já estou com tudo na mão para te entregar. Você quer em papel ou mando pro Panamá?

― Ah, o Sr. Dedé, da Gráfica? O Sr. está falando daquele serviço que nós encomendamos no mês passado? Desculpe, meu caro, mas o Sr. tem que tratar isso com o meu Gabinete. Esse é o telefone da minha residência, e são quase onze da noite…

― Hummm, entendí, Zé. Não é pra falar pelo telefone, né? É claro, se arriscar por que?

― Sr Dedé, vou desligar agora. Por favor, procure meu Gabinete amanhã, a qualquer hora. Caso surja alguma dúvida, por favor fale com o chefe da Casa Civil. E não se esqueça de retirar esse telefone de sua agenda. Ele é estritamente pessoal.

― Entendí, Dr. José Romário… Então posso tratar desse assunto direto com o Pimentinha? Tá certo, então. Passo lá amanhã cedo, então! Depois passo em seu gabinete pra tomarmos um cafezinho.

― Sr. Dedé, eu não estarei no Palácio amanhã…

― Ah, tá! Só mais uma perguntinha, então: você quer que eu entregue as jabuticabas pra ele, ou deixo pra quando a gente se encontrar?