A prática e o discurso

25/05/2016

O sistema político brasileiro conseguiu se aperfeiçoar na capacidade de produzir "salvadores da pátria" em anos eleitorais, rapidamente transformados em "mais do mesmo", tão logo diplomados e empossados em seus feudos.

Nunca a prática se divorciou tanto do discurso quanto aqui.

E sob esses novos condes da democracia, o Estado se torna sociopata.

Direto ao ponto: vejam esse "monumento" construído pelo Estado do Rio de Janeiro em pleno coração da cidade.

Trata-se do prédio da Secretaria de Saúde do Estado. Tem galerias tão amplas (e cercadas) que servem para pequenas "feirinhas" de artesanato, assembléias de funcionários e outras ações entre amigos.

Mas, para atender à legislação de acessibilidade, os iluminados resolveram construir a rampa sobre a calçada estreita. Danem-se os pedestres. Danem-se os cegos. Danem-se os cidadãos.

Agora observem mais dois detalhes sinistros: perguntem-se por que uma rampa de acesso literalmente na rua precisava ser construída com granito e guarda corpo em aço inox? Um monstro entre monumentos, como o Museu Nacional de Belas Artes, do outro lado da rua, e o próprio prédio, em mármore. Será que isso "barateou" a obra?

Segundo: estão vendo o piso molhado em dia sem chuva?

São os aparelhos de ar condicionado do prédio (do Estado), que não tem sistema de drenagem e pingam na cabeça dos pedestres, em plena Rua México.

Pasmem - o lugar é cercado de autoridades, com o Tribunal de Contas do Município, a Justiça Federal e o Ministério Público a metros de distância.

E o nosso prefeito se elegeu dizendo que a cidade precisava de um choque de ordem.

O que será que ele colocou em ordem?

 

 

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