Estamos doentes?

28/05/2016

Com muita frequência somos sacudidos por barbaridades e atrocidades que nos colocam de joelhos, emudecidos e de rosto coberto, como que a implorar que a vergonha passe, antes que nos sufoque. Frequência que aumenta com o passar dos anos, como água em conta gotas, que chega à borda do copo.

E assim vamos alargando nossa complacência, entupidos de aberrações como os casos Nardoni, João Hélio, Suzane Richthofen, o massacre de Realengo e, agora, essa fila bestial e macabra para estuprar uma adolescente.

Exceto pela dor dos envolvidos, quase passam despercebidas outras atrocidades incompreensíveis, sufocadas pelo foco das atenções, como um outro adolescente de São Paulo, brutal e desnecessariamente assassinado com uma “pedrada”, enquanto dormia dentro de seu carro na volta para casa no feriadão. Era uma tentativa de assalto.

Some-se a isso o dilúvio de notícias sobre corrupção e cinismo nos três poderes e em todos os níveis, e vamos nos anestesiando para não reagirmos nos “crimes menores”: já nem nos assustamos nem chamamos de crime os pequenos “desvios”. De tanta gente presa, crimes com penas “leves” (como se isso houvesse) estão sendo contemplados com multas e uma advertência.

Estamos ampliando muito nossas zonas de tolerância, e não acho que seja por uma questão de novas abordagens humanísticas da problemática social. Pode até ser que algumas pessoas consigam estruturar argumentos nessa direção.

Sou de opinião que essa é uma dívida do nosso modelo educacional. Do pacote completo. Da opção original de Portugal pelo modelo de colonização, até à agenda do Alexandre Frota com o Sr Ministro esta semana.

O modelo começou errado, errou por séculos, acumula e coleciona erros até hoje. Erra na prioridade que dá às séries iniciais, na formação dos professores, na dicotomia público / privado, na escolha dos Ministros, nas prioridades…

Antes da reforma política, o Brasil precisa reformar a Educação. Não só pela ordem econômica, pelo desenvolvimento tecnológico, pelo trabalho e emprego.

Certamente as mãos que pegam em livros não deixam de cometer crimes. Mas só a educação é capaz de despovoar os presídios e nos afastar da barbárie.

O que mais estarrece é que todo mundo diz isso, mas assim como os doentes crônicos, não fazemos nada para encontrar uma cura.

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