Valha-me, São Expedito! (ou Did did it)

 

Não por acaso, o premiado delator do senado peemedebista, Sérgio Machado, escolheu o nome do pai, Expedito Machado da Ponte, para batizar o caçula. Pela tradição política da oligarquia cearense, alicerçada no nepotismo, o menino poderia economizar uns bons cobres herdando a lembrança de um nome familiar aos ouvidos dos eleitores, muitos deles ainda acostumados ao jugo do coronelismo, cabresto eleitoral arraigado, sobretudo, no interior do estado.

Se, no seio familiar, a escolha poderia causar alguma confusão, pelo menos, o garoto teria direito a uma carteirada automática na região de Crateús e Fortaleza, suas principais bases eleitorais.

Como filho de peixe, peixinho é, pela propriedade transitiva, o neto poderia abrir mão da confecção de milhares de santinhos na hora sagrada de um provável encontro com as urnas. Assim, para evitar transtornos internos nos domínios do clã, o pequeno recebeu o apelido carinhoso de Did, calcado na anglofilia crescente das novas gerações.

O velho, ministro de Viação e Obras Públicas de Jango, com Ponte encerrando o nome de guerra, criado nos valores importados dos franceses pelo porto do Rio, não viu com bons olhos a mudança de norte, mas houve por bem se calar. Sujeitou-se às evidências de que raiara no horizonte nordestino uma nova e irresistível dominação cultural. Sentimento inclemente e abrasador como o sol do semi-árido, não tardou para que o netinho deixasse a região em direção a Londres, com a natural escala em São Paulo. O mercado financeiro seria uma habilidade complementar para garantir o acesso aos grandes empreendimentos governamentais, especialidade da casa.

Repetindo o imperador Júlio César no senado romano, Expedito veio, viu e venceu no similar brasileiro, levando os lucros auferidos pela Casa Revisora ao disputado mercado londrino. Traduzindo a façanha, Did dit it.     

Pela tradição católica, São Expedito é o padroeiro das causas urgentes. Militar, comandante de uma legião romana na região da Capadócia, foi decapitado ao abraçar a causa cristã.

Consta que desde que a conta controlada por Did no exterior foi descoberta pela Lava-jato, por meio da delação de um empreiteiro, a urgência fez do pai, provedor, um fiel devoto de São Expedito. Juntos, optaram pelo Machado familiar que os une; afiados, deceparam muitas cabeças para não repetirem o destino do santo.

Se o pai não sabia como fazer para completar o dirty job, Did did it.   

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