Amores ilícitos

Conceber um mundo cínico, como o do puteiro de dona Rosa, vazio do ideal de “felicidade”, com regras para a conduta agradável dos aprendizes dos amores ilícitos. A excitação carnal de um “rendez-vous, a troca reveladora dos “secrets d’alcove”.

O amor de Ovídio, pecadilho menor da vida (Ovidio, Ars Amatoria). As regras: “não visite a amante no aniversario (ou em datas especiais): poderá custar-lhe muito caro”.

E a sabedoria de Horácio: “o homem desdenha o que está à mão para buscar o que não pode ter”.

De novo Ovídio: “o permitido não tem encanto, o proibido excita o desejo” “É sempre mais verde o jardim do vizinho”.

“A sociedade asfixia o amor, apaga a paixão, torna-a cansada, embotada, saciada e sonolenta; apenas os amantes, fora do matrimônio, conhecerão o amor e a paixão”.

A influência deletéria da lascívia e do ceticismo moral, nos ensinamentos eróticos e preceitos dissolutos e despudorados da “Ars Amatoria, Ars Amandi”, “A Arte de Amar” leva ao exílio da morte o poeta Ovidio pela fúria moralizadora da Lex Julia de adulteriis de Augusto.

Temperança, temperança nesses tempos de boletas azuis em que se ingerem pílulas para ter filhos e pílulas para não tê-los: àquele levado ao tribunal por insistir em possuir a esposa 12 vezes ao dia, a rainha recomendou temperança: “apenas meia dúzia vezes será bastante”.

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