A difícil escolha do amor

Ouvi de uma mulher: “nós nos perdemos mais pelos caminhos porque procuramos mais”.

“Scegli la donna cui tu possa dire: a me piaci tu sola! Far si che Il vostro amore possa durare a lungo. Ciò ch’e bello al mondo, è tutto qui”.

Nada pior do que beijar a boca indesejada com outro amor no pensamento, pensando naquele outro beijo em que “la bocca mi basció tutto tremente”, como de Paolo e Francesa em Dante.

Com licença, leio John Donne com meu olhar: “Procura um par para a vida inteira, é o melhor a fazer: se o beijo combinar, mesmo que o olhar distraia e o sorriso desobedeça, o que de melhor haverá. Essa é uma surpresa que acontece raramente: não a deixe passar”.

Melhor Donne, por ele mesmo:

“Sou dois loucos, confesso,

Por amar e, possesso,

Confessá-lo em meu verso.

Mas quem não quereria estar em mim

Se ela dissesse sim?”

(“O Triplo Louco”,” The Triple Fool”, John Donne, trad. de Augusto de Campos)

A loucura do amor pode levar ao crime e à desgraça, como o amor de Medéia, Fedra e Dido, quando “a paixão torna-se quase um vício: o objeto da paixão torna-se imprescindível”. (Pavese)

Nem o amor sabe o que o amor é, nem a dor que ele causa sabe que dor é: “O amor quer a posse, mas não sabe o que é a posse. Se eu sou meu, como serei teu, ou tu minha?”, poeteia Fernando Pessoa.

Vamos abandonar a difícil escolha com Heine: “sem mulher o inferno não era inferno, a vida de solteiro era alegria e festas”.

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