Cólicas Melancólicas - Orlando Furioso, o eco da intolerância


Está ficando difícil sair para ouvir David Bowie e dançar.

Há agora um Bataclan em Orlando, Florida.

Como houve antes um matadouro de jovens mártires na boate Kiss no Sul do Brasil.

E, ainda antes, as bombas com 202 mortos no Paddy’s Pub de Bali e o ataque à casa noturna no Cairo com 16 vítimas.

Fora do ambiente da noite, há o registro de inúmeros atentados, como os massacres das escolas norte-americanas de Columbine e de Troutdale, e do jornal satírico Charlie Hebdo.

Já são tantos, com tantas motivações, que já não cabe perguntar porque sair para dançar ou ir estudar ou fazer imprimir um jornal ficou tão perigoso.

A resposta está dada: o homem virou as costas para o outro e de costas não dá para dançar. Nem para estudar, nem para ler.

Ora é o descaso provocado pela ira, pela intolerância e pelo ódio.

Ora, o descaso provocado pela fúria, pelo preconceito e pelo desrespeito.

Ora ainda, o descaso provocado pela estupidez e pela ganância.

Pouco importa a causa da intolerância, do ódio, da fúria, da ira, da estupidez, da imprudência ou da ganância, tudo isso está na essência do homem. O que importa é o descaso. A postura do homem diante disso.

Ele não consegue mais indignar-se. O homem, saído da caverna para o mundo real, parece agora querer fugir do mundo. E esconder-se.

Daí a indiferença com a vida que não vale nada e o desdém com a morte que parece valer ainda menos.

Ariosto deve andar triste. Fred Mercury também. Deve estar cantando Orlando Furioso para idiotas.