A capacidade de indignar-se


Acredito eu, que quase tudo já tenha sido publicado a respeito de falcatruas que acontecem em todos os níveis da administração pública em nosso país, evidentemente que tendo como parceiros empresários e grandes figurões de todo e qualquer governo, seja no âmbito federal, estadual ou municipal, onde ainda predomina a orgia com o dinheiro público, a insensatez, o desprezo pelos eleitores, a covardia, a ganância e, principalmente, a desonestidade.

Mas, o que me preocupa mesmo, nesse momento, é o que muita gente, muitos jovens inclusive, vêm pregando: o voto nulo.

Tem até um e-mail correndo pela Internet pedindo a todos que o recebem para que ou votem nulo, em branco ou se abstenham de comparecer às urnas nas eleições municipais do próximo ano.

Caros leitores, por favor, não façam isso. Por pior que nós estejamos representados em todos os Poderes da República, seja no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, ainda vivemos uma democracia.

Nós só estamos tomando conhecimento de toda essa bandalheira que aconteceu e ainda acontece em Brasília, nos estados e municípios, exatamente porque vivenciamos esse momento democrático, onde uma imprensa livre pode noticiar tudo o que acontece, não importando de que lado esteja, pois, mesmo sendo tendencioso em alguns momentos, nenhum segmento da mídia pode deixar de noticiar o que acontece, tornando os fatos públicos e notórios.

Só alguém como eu, e alguns companheiros de imprensa que ainda estão por aí nas trincheiras das redações, pode dar o testemunho do que é viver numa ditadura, seja ela de esquerda ou de direita, como a de direita que presenciamos e vivenciamos depois do golpe militar de 1º de abril de 1964.

O político não serve, é corrupto, safado, desonesto? Não votemos mais nele, pois só através do voto limpo e democrático conseguiremos atingir os nossos objetivos, transformando o Brasil em uma grande nação no cenário internacional.

Você já parou para pensar em quem votou nas últimas eleições? Já fiscalizou a conduta dos parlamentares, prefeitos e governadores eleitos com a participação do seu voto?

A grande maioria do povo brasileiro não tem esse hábito. Reclama, reclama e, no final, termina votando nos mesmos de sempre. Vamos iniciar um movimento não pelo voto nulo, mas o do voto comprometido com causas sociais, com dignidade, com honestidade, com seriedade, com a coisa pública, pois os homens de bem existem e devem ser prestigiados.

Martin Luther King afirmou certo dia “que o que me preocupa não são os maus, mas o silêncio dos bons”. Portanto, meus amigos, meus caros leitores, vamos fazer uma reflexão e votar certo, elegendo os que verdadeiramente merecem ser chamados de homens públicos e banir para sempre da política brasileira esses fariseus, esses ladrões não só de coisas materiais, mas, também, de corações e mentes, de nossos sonhos, enfim, essa turma da corrupção que, apesar de tudo, trouxe de volta uma coisa boa para todos nós: a capacidade de indignar-se!