Restaure-se o respeito ou retiremo-nos todos

 

Há muito confundimos os espaços públicos, que são de todos, com áreas de ninguém, razão porque deles não cuidamos e até os desrespeitamos com nossas atitudes ou omissões. 

Mas há também espaços públicos que devam ser considerados sagrados, ainda que não teologicamente sacralizados. São aqueles que vão além dos templos de quaisquer das religiões. Escolas, hospitais, estações de transportes e quaisquer outros espaços onde a coletividade busca serviços ou produtos, que lhes supra a vida nem sempre tão fácil.

O horroroso episódio da invasão do Hospital Souza Aguiar, lamentavelmente não tão inédito, mas agora com troca de tiros e morte, mostra a complexidade da falência de nossa sociedade. 

Ao tentar dar uma cronologia contemporânea de tal desastre poderíamos começar com o “chute da santa”, quando em 12 de outubro de 1995, o bispo da Igreja Universal, Sérgio von Helde protagonizou lamentável episódio fartamente conhecido.

Nesses quase 21 anos tal exemplo oportunizou que os fatos se ampliassem para ataques e destruições em templos de umbanda e candomblé, desrespeitando o direito constitucional de expressão religiosa, mortes em escolas e agora até mesmo dentro de hospital, onde qualquer um de nós procura alívio para suas dores. 

Nossa cultura de transferência, que sempre procura encontrar culpa no outro, já não mais pode alimentar nossas respostas. Ou a sociedade carioca, fluminense, brasileira se revigora ou o melhor é sair do país, como já fazem os mais abastados ou aqueles que procuram oportunidades de emprego no exterior. 

Restaure-se o respeito ou evadamo-nos todos. 

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