Apego ao poder

22/06/2016

Existe uma historinha, até certo ponto antiga, de que dois amigos, depois de um longo tempo afastados pelas coisas da vida, encontram-se em plena Avenida Rio Branco e um deles indaga: “Pô, meu caro, por onde você andava, há quanto tempo não vejo você?

Pois é, rapaz, responde o outro, eu estava em Paris.

Paris? Indaga o primeiro, e você foi ver aquelas Ferraris, aqueles Porches, aquelas Mercedes, Lamborghinis, Masseratis no Salão do Automóvel?

É fui, responde meio desalentado o segundo, e completa: Mas bom mesmo era o Opala preto”.

Quem é mais jovem não se lembra dos célebres Opalas Pretos que serviam à burocracia federal em todo o país. Bastava o cara ser um aspone (assessor de porra nenhuma), para ter a seu serviço um Opala preto com motorista.

Ele era o símbolo das mordomias dos apadrinhados políticos que conseguiam ser nomeados para cargos federais, principalmente no Rio de Janeiro e em Brasília, a primeira por ter sido antiga capital federal e a segunda por ser a própria capital do país. Era uma festa, que veio a ser combatida no governo do general Figueiredo, pondo fim a essa verdadeira orgia de mordomias em cargos públicos federais. Era disso que o amigo se lamentava com o outro.

Quando se retirou o Opala preto dos aspones acabava-se, por pelo menos uma parte, com uma coisa meio inexplicável: por que determinados funcionários, de carreira ou não, tinham direitos a certas regalias que a maioria de nós, pobres mortais, não tínhamos?

Aliás, mesmo com o fim do Opala preto, muitos continuam tendo certas mordomias. E aqui ainda cabe a indagação: por que parlamentares, ministros, secretários têm direito a carros com motoristas, gasolina de graça, além de outros benefícios? Por que eles não podem ir para o trabalho, como a maioria do povo brasileiro, no seu próprio veículo, de ônibus, de táxi, de bicicleta ou de metrô?

Vamos ver se alguém com cargo em exercício no parlamento apresenta projeto de lei nesse sentido. Vai ser difícil ser aprovado, é claro, mas pelo menos traz a questão à tona.

Esse intróito todo, meus caros leitores, é só pra falar de políticos como José Sarney e Renan Calheiros.

Nossa Senhora, como eles têm apego ao poder; não largam o osso de jeito nenhum.

A cada denúncia contra o modo de agir dos dois, eles continuam cantando aquela música do tempo dos nossos pais, em que o refrão dizia: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”...

O Sarney, mesmo sem cargos, continua mandando. Tem mais gente, é claro, como Jucá, Lobão, Machado e outros menos votados.

Lembram-se do Collor? Foi duro derrubar o cara. Ele só renunciou aos 48 do segundo tempo, assim mesmo quando o congresso nacional já votava o seu impedimento, o seu defenestramento (alô revisores, existe essa palavra?), do cargo de presidente da república. Mas, não se alegrem, ELLE voltou como senador e está ao lado do Sarney e do Renan, ameaçando todo mundo.

O impedimento a ser votado agora é o da dona Dilma. Ainda bem que existe um Brasil alheio a toda essa bandalheira, que continua a trabalhar e a crescer sem se importar com a falta de vergonha dos nossos políticos.

Olhem o exemplo do Papa Francisco. “Diz-se em Brasília que a Internet pegou no país porque aqui todo mundo @ e fica por isso mesmo”!

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