Pessoas que se acham acima do bem e do mal


Poderia estar falando de Mahatma Gandhi, ou Francisco de Assis, cujos atos, em vida, os glorificaram como “santos”. Palavra que, para além do caráter religioso, também quer dizer isento de culpa, puro, cheio de boas intenções.

Ou dos mártires de todo o mundo, que se atiraram de cabeça em suas lutas contra a opressão e as injustiças, quase sempre pagando por seus atos com morte trágica e dolorida.

Essa é a categoria dos Excelsos, pessoas acima do bem e do mal.

Mas nós temos uma categoria particular de Excelsus em Terra Brasilis, e aí está uma das mais bizarras: a Excelsa Excelência Ministro Ricardo Lewandovsky, Presidente do Supremo Tribunal Federal, o tal Poder Moderador.

De cuja história se desconhece apenas o que foi conversar com Dilma Roussef e Eduardo Cardoso na Cidade do Porto, no ano passado, e os verdadeiros méritos que o teriam levado à Suprema Corte, não fosse sua amizade com a “Galega”.

Eis que o Ministro, depois de mal disfarçadas tentativas de colocar algumas pessoas acima da Justiça, como na burlesca sugestão de que, ao fim e ao cabo do processo de impeachment, Dilma fosse questionar seus méritos no Tribunal, conquistou a glória e entrou para o Panteão dos Caricatos, dos festejados gaiatos que a História vai tratar com menos respeito do que eles próprios se acreditam.

E pronto, lá estava o boneco engravatado, tantos metros de altura, a estrela de Xerife um pouco mais avermelhada do que deveria, fazendo companhia ao Pixuleco, à Dama da Mandioca e ao também estreante, o indecifrável Janot.

Como ele realmente acredita que está acima do bem e do mal, caprichou na biografia e lascou mais esse deslustro: oficiou à Polícia Federal para que investigasse a autoria e impedisse a “campanha difamatória contra o Chefe do Poder Judiciário”.

Sei que o Excelsus Augustus, do alto do Monte Olimpo na Capital Federal, não terá acesso a essas linhas traçadas na Província. Mas faria bem ao País e à sua própria história se Sua Excelência se abstivesse dos papéis canhestros que desempenha aqui e ali, nos julgamentos do Supremo.

Quando nada mais dê certo, que ele suspenda a gravação e transmissão das sessões em que desempenha sua caricata personagem.