Guri de Merda versus Ex-tudo

Em mais um capítulo da novela Os Maias, produzida no Rio de Janeiro, saga familiar apresentada no Brasil, e não no canal Viva, Rodrigo Maia chegou à presidência da Câmara, quando o natural seria alcançar o posto máximo da Cidade das Artes por herança paterna. 

À revelia da memória de Eça de Queiroz, o filho pródigo de César Maia voltou ao centro do poder republicano. Isso depois de ser chamado de Guri de Merda pelo ex-tudo Nélson Jobim, em uma contenda sobre a CPMF ocorrida há 9 anos, quando o legítimo herdeiro de César acabara de ser apeado do cargo de presidente do DEM.

O deputado, ao receber os 275 votos que lhe conferiram de uma só tacada o comando da Casa e a vice-presidência da república no caso de confirmação do impeachment, voltou a ver a sua derrocada em flashback, mas com olhos de vingança contra o gaúcho.

Na ocasião, para não ferir o decoro, informantes militares e arapongas da ABIN garantiram ao ex-ministro do Supremo que Sua Excelência era constituída unicamente de fezes, o que tornava absolutamente verdadeiras as suspeitas pretéritas do então titular da Defesa sobre tal guri.

“A César o que é de César!”, bradou Agripino Maia, aquele que seria o novo César do DEM, esquecendo-se de seu próprio sobrenome. Atirou o pobre aos leões; ou melhor, às hienas, que encaram a iguaria sem resistências.

Saudado por seus 49 vice-presidentes, eleitos por eles mesmos para o shadow cabinet do DEM, o único Maia vencedor conclamou a todos pela unidade do partido. Aos que não conheciam a expressão política de origem britânica, o conciliador potiguar informou que se tratava de um gabinete para, da oposição, acompanhar as ações de cada ministério do governo, razão do número exorbitante de vices.

Apesar dos protestos da senadora Kátia Abreu, na época presidente da Confederação Nacional da Agricultura, que gostaria de levar o dejeto-mirim para adubar os campos dos associados da CNA, coube ao guri a sombra que cuidará da fiscalização do saneamento básico, ramo subterrâneo do Ministério das Cidades.

Em histórico depoimento a este colunista, o então infantil parlamentar revelou que mergulharia fundo no problema que lhe foi atribuído pela direção partidária. Dizendo-se um profundo conhecedor dos meandros dos esgotos sanitários do país, garantiu que não lavará as mãos. Diante do descalabro, não terá dificuldades para colocar o dedo na ferida da situação. E tirar casquinha, completou o mefítico filhinho que, a exemplo do papai César, veio, viu e venceu. No que depender do guri crescido, o homem dos pampas continuará ensanduichado entre oposição e situação, rebaixado à condição de X-tudo.

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