Programa mais multas

Depois que o brain storm parafiscal nos impôs a obrigatoriedade do farol baixo nas estradas a qualquer hora, mesmo que essas estradas atravessem bibocas densamente povoadas, portanto já dotadas de selvas de quebra-molas e pardais, a própria tradução do reiterado furto institucionalizado para fiscal sobreviver na maciota, sem exercitar o cérebro, deverá gerar a próxima medida de segurança. Após a tempestade arrecadatória virá a bonança distributiva, logicamente restrita ao âmbito dos servidores dos três poderes. E tudo ali, preto no branco, muito bem fiscalizado pelos egrégios tribunais de contas. Mas vamos enxergar o problema por outro prisma, o dos poderes constituídos para nos proteger de nós mesmos.

Tudo indica que já está em trânsito a legislação que obrigará o motorista a manter o limpador de para-brisa permanentemente ligado, sob pena de multa de R$125,00 e 7 pontos na carteira, falta gravíssima. Afinal, ninguém está livre de uma repentina tromba d’água ou de uma indelicada cusparada a 80 km/h.

Receosos do que poderá advir do necessário, senão imperioso ajuste fiscal, doutos consultores, a serem contratados na forma da lei 8666 por próceres do Contran, alegarão que a medida prevenirá que respingos provenientes de eventuais poças d'água levantados por outros automóveis, caminhões e motocicletas surpreendam os motoristas e causem acidentes de graves proporções, com danos irreparáveis à vida do usuário das rodovias municipais, estaduais e federais.  

Ainda entre as justificativas que nortearão a portaria a ser publicada em prol da segurança do brasileiro, porém decorrente de um problema de saúde pública, que há três décadas consome recursos físicos e financeiros do país, desponta o combate ao mosquito aedes egypti, transmissor da dengue, da zika e da chicungunha, cujos ovos não mais terão carona nos vidros dianteiros e traseiros dos veículos que ligam o país de norte a sul. Ainda está em estudo o que fazer com os laterais, de menor impacto epidemiológico, que não contam com o dispositivo obrigatório de fábrica. Entretanto, a preocupação já foi devidamente passada às montadoras.

Consoante os técnicos e pesquisadores do Ministério da Saúde, tais poças são criadouros de onde surgem as larvas. Se submetidas à ação ritmada das palhetas a seco, não sobreviverão ao desgaste mecânico e – há controvérsias entre entomologistas - emocional.

Para melhor avaliar a influência que a medida terá sobre os casos comprovados das doenças, bem como para a produção e veiculação de campanhas de esclarecimento da população, será firmado um convênio entre as pastas interessadas.

Entretanto, já há o firme propósito da criação de uma estatal enxuta para dar a agilidade que o Brasil merece, a Limpabras, a mesma agilidade que há de multiplicar por dois o número de funcionários contratados em regime de urgência, DAS e concursados da ANAC que serão responsáveis pela segurança dos brasileiros nos aeroportos quando não estiverem em greve por melhores salários e condições de trabalho. Logo, logo, as longas filas de embarque e desembarque serão coisa do passado.

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