Velhos Bahianos

Atrás do trio elétrico, só não vai quem já morreu. E, infelizmente, já morreram dois dos dirigentes que pertenceram à companheirada que cercou o bloco de assalto à Petrobras. Assim, não poderão participar do desfile de justificativas alegóricas e fantasias marqueteiras de relacionamento folião, desmandos cujas consequências, como o carnaval de lá, não têm hora pra acabar.

Entre mortalhas, abadás ou uniforme de frentista, farda como se diz na Boa Terra, ironia que só a Bahia é capaz de apresentar aos turistas de ocasião, os velhos baianos, de certa forma, incorporaram a dominada logomarca ao macacão. Não em uma espécie de carona visual a uma tradição de décadas, com ou sem bandeira do posto de serviço, mas pagando a festa pagã.

Se não há almoço grátis, os camarotes VIPs, com bebida, comida e banheiro incluídos, santo xixi patrocinado, custaram ainda mais caro. Uma brincadeira se comparada às cifras relativas às tramas desvendadas pela Lava-jato, mas tais merrecas se revelaram investimentos eleitorais tão quentes quanto as fogueiras de São João.  

Não satisfeitos de exibirem suas surradas fantasias de heróis do Recôncavo, os velhos baianos conseguiram a proeza de extrair riqueza até naqueles dias em que a Bahia praticamente estanca no sentido horizontal para se movimentar no vertical da Praça da Sé ao Campo Grande, com encontro de trios na Praça Castro Alves. Terá sido lá que o Tripodão, trípode como as três pernas do patrocínio, estatal, sindical e político, se encontrou com os marqueteiros oficiais, ambos, também, velhos baianos? Tudo indica que as três chamas acenderam o Farol que os levou a Ondina, onde fica o disputado palácio do governo. Chegaram ao final desse circuito metendo o cotovelo, metendo a cabeça nas pesquisas e a mão no cofre alheio.

Depois de atacar o problema corretamente na edição de ontem, a reportagem do Globo de hoje, 22/7, presta um desserviço à informação, misturando alhos e bugalhos, Rio e Salvador, confusão talvez causada pelo próprio release da empresa.

O documento chegou a misturar a revisão do planejamento estratégico com a exoneração de um gerente que nada tinha a ver com o carnaval baiano, feijão preto com dendê, em uma sucessão de parágrafos que mais pareceu um axé do crioulo doido, talvez porque o chefe de gabinete tenha assumido a Comunicação sem o conhecimento necessário. Ou pode ter sido coisa dos velhos baianos, para voltarem a ficar longe do foco do farol, não duvido nada.

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