Feira Livre e outros P's do marketing Político


João Santana - da internet

Quando os americanos começaram a estudar marketing com mais afinco para tentar disciplinar suas equipes de vendas, lançaram mão dos rudimentos do próprio marketing, que passou a ser uma disciplina, mais tarde uma especialização.

Com a adoção da ferramenta com que indústria e comércio começaram a trabalhar, toda ela forjada na observação associada à intuição, os gringos passaram a depender um pouco menos do empirismo e da simpatia de seus vendedores, exércitos que iam de porta em porta vendendo os aparelhos de que o mundo moderno necessitava. Ou seria obrigado a necessitar, se o treinamento fazia algum sentido.

Estimulados pelas insaciáveis bocas do baby boom, pela reconstrução da Europa arrasada e pela relativa ociosidade derivada do fim do esforço de guerra, que fora reduzida à Ásia e à fria contra o comunismo, era hora de tirar a tropa da rua para invadir o jornal, o rádio e a tevê com destacamentos doutrinados pela perigosa ideologia do consumismo.

Vieram daí os famosos 4 Ps que traduzem o composto de marketing, logo apelidado de mkt mix. Na língua de Shakespeare, que soube como ninguém lidar com a oralidade da memória para perpetuar a sua obra entre uma esmagadora maioria de analfabetos, os ilustres atendem pelos nomes de Product, Place, Price and Promotion. Na tradução, bem próxima, por sinal, Produto, Praça, Preço e Propaganda, pois aqui promoção só costuma ir até sábado ou até terminarem os estoques. E publicidade também se faz – e muito – com assessorias de imprensa e almoços aparentemente grátis.

Apesar de engenheiro civil carioca, com especialização em petróleo, esta uma formação tipicamente baiana quando tal indústria passeava pelo Recôncavo e engatinhava por águas rasas, a minha pós-graduação no assunto foi carimbada pela USP. Tudo a ver com o mercado, que se mudou de mala e cuia para lá. Como fiquei por aqui, e abracei a política como tema de minha luta diária contra o sempre perigoso alemão e seus traiçoeiros aliados, considero-me um especialista em marketing político em perene ostracismo, caminho imitado por Duda Mendonça depois do Mensalão, e que agora há de ser trilhado por João Santana, o Feira, cuja Xepa chegará ao fim depois das declarações contra a cliente honrada e de coração valente.

Ao dizer que mentiu à Justiça para proteger Dilma, que já vinha ameaçada seriamente pelo impeachment, a cara-metade fifty-fifty, e sem pleonasmo, arrasou com as esperanças da pobre criatura de Lula. Tudo para voltar à Feira Livre, maior expressão do mercado, inclusive o político, com a oferta e a procura pressionadas pela instantaneidade.

Incompreensível à população brasileira desde que seu personal marqueteiro foi recolhido ao xilindró curitibano, a presidenta, afastada do seu cérebro, teve que se socorrer pelo twitter. Contrariada com o teor dos depoimentos do casal 20 do mkt político bolivariano, a ignorante alegou que não tinha conhecimento do caixa 2, oriundo da propina que rolava na estatal cujo Conselho Administrativo dirigiu por mais de 7 anos. E que continuou a comandar por instrumentos depois de chegar ao Planalto. Como Lula, ela não sabia. De nada. De Pasadena, da Abreu e Lima, do Comperj, do Cerveró, das refinarias do Ceará e do Maranhão, do CENPES, das aventuras na África, das bases no Japão, de nada.

Com a lacuna deixada pelo Feira, tento me posicionar entre os profissionais do ramo, pois os 4 Ps do marketing político não são muito diferentes dos originais. E não só para a venda de aspiradores de pó.

A praça, o preço e a propaganda compõem o mesmo mix. Se o político pode ser um produto, então é tudo igual, ainda que tivéssemos outros Ps obrigatórios para lançar um candidato na praça, a saber: Partido, Pesquisa, Probabilidade, Propina e Pagamento. Perfeito para contar em 9 dedos das mãos.

Adianto que estou habilitado por meus diplomas a dar recibo de autônomo. Meus RPAs hão de ser aprovados pelos TREs. Em plena crise, com a Petros cada vez mais arisca, em viés de baixa, sou obrigado a voltar ao batente. Para tanto, já compus meu jingle, babies:

Você precisa saber da propina / na gasolina / da sabatina / de Pasadena / Você precisa saber de mim...

Faltando poucos dias para o início das campanhas municipais, aceito propostas. Político Probo, Prático, Preciso, Paciente, Prestativo, Próximo, Passional, Pragmático, Pródigo, Profissional? Perfeito, Provável Prefeito! Porém, Pagamento Primeiro!