Chamando canguru de meu louro

Dizem que quem fala muito dá bom dia a cavalo. Discordo. Ditado vencido como o da propalada celeridade do castigo, devidamente desmoralizada pela Justiça, o ritmo da cega da espada compromete cada vez mais o adágio. E acredito que o jumento do prefeito também, aconselhado a permanecer calado, palavras de amigo da onça, palpite infeliz de quem não conhece o Rio.  

Com a dificuldade de se encontrar um legítimo equino de bobeira fora dos grotões da Zona Oeste, e além do mais, disposto a entabular quatro patas contra dois dedos de prosa, a interlocução tem sido estendida a outros animais pouco dados a relinchos contundentes e coices retóricos. Afinal, kindness generates kindness, apregoa o gentil bordão traduzido em inúmeros painéis eletrônicos espalhados pela cidade olímpica.

Com exceção de Deodoro, onde ainda abundam os zainos baios, tordilhos e alazões, cachorro, gato e papagaio foram convocados a ocupar a função de interlocutor da cavalgadura do alcaide. Considerada a briga de cão e gato entre os ideais do Barão de Coubertin e do Barão de Drummond, este um explorador de animais que deu samba por meio do jogo do bicho, que sustenta a nossa grande festa anual, sobrou o papagaio para o prefeito treinar boas maneiras com as delegações.  

Indubitavelmente o grande nome dos Jogos Rio 2016, o executivo municipal corre contra a estrela de Usain Bolt de seu escritório no Piranhão, no Estácio. Partiu na frente, em 2009, mas queimou-se na largada, por problemas com as instalações da Vila Olímpica.

Pois já dizia Noel, muito antes da escolha do COI, em seu sensacional duelo musical com Wilson Batista, medalhista do Estácio, onde a genial e mútua falta de gentileza gerou uma certeza olímpica: “a Vila não quer abafar ninguém. Só quer mostrar que faz samba também.” Depois do palpite infeliz de quem está chamando canguru de meu louro, parafraseando os cantadores, que venham os encanadores.

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