Freud na terceira idade

Terra incógnita.

Bem vindo à terra incógnita da hysteria.

Se você é tudo, já não é nada, nem ninguém.

O sonho sonhado não é nada perto do sono perdido.

O horror do pesadelo é acordar.

Uma cagada interrompida causa mais mal do que o coito interrompido.

A maturidade entorpece os sentidos. Já não há correlação entre corpo e mente, apenas sintomas mórbidos de distúrbios mentais. Leves.

Já não há impulsos sexuais capazes de provocar desordem de qualquer ordem.

A noção do sexual não se deixa definir facilmente: os órgãos sexuais são irreconhecíveis.

Já não há energia a ser sublimada.

As perversões são perversas.

A angústia não nasce da libido; fobias criam um estado de angústia geral.

A vida são máscaras postiças, como a bengala e as perucas.

Bengalas não evitam queda de cabelos.

Tremores, palpitações, vertigem. Ninguém se lembra de nada, nem dos remédios.

Germes neuróticos e psicóticos povoam a mente primitiva.

As palavras engasgadas já não são entendidas; o velho balbucia o incompreensível, tanto quanto, jovem adolescente, era incompreendido.

O pessimismo não é nem excepcional nem acidental.

Os nadas são melancólicos; as anomalias são tristes.

Os defeitos se avivam; as virtudes nem tanto.

Mecanismos mentais conduzem a processos patológicos que levam a atos inconsequentes que beiram a insanidade.

Tudo é crônico no velho anacrônico, neurótico suspeito no mundo hostil dos sorrisos amáveis.

Somos todos doentes.

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