Sangue e Arenas

O título parece nome de novela adaptada aos ideais bolivarianos, mas subiu ao pódio por ser um legítimo campeão de audiência. Se houve doping na largada, a Inês é morta de overdose.
Em clima olímpico, deixo que as provas falem por si mesmas. Ensimesmado, penso no ouro que rolou, na prata que ficou nos cabelos daquele que vai ficar de fora, a quem resta pegar um bronze ou se ligar na tevê.
Entretanto, em agosto, caber-nos-á a mesoclítica tarefa de meter nossos pronomes no meio para raspar o tacho da tocha. 
Não esquecendo do bloqueio dos bens, da marcação sobre as redes internacionais utilizadas pelos saqueadores, que as manchetes proporcionem ótimos contra-ataques, cortadas e medalhas, dolorosas nos adversários e épicas nos que deram o sangue nas arenas.
Depois da maratona de obras, das cestas de moedas enterradas nos aros olímpicos, da vergonhosa apropriação indébita do Maraca, que é nosso, é hora de fazer do limão uma limonada suíça, sem sigilo bancário ou açúcar. 
Sem esquecer da grana nas Bermudas, é tempo de vestir bermudas para enfrentar a corrida com obstáculos até os jogos, até o bar.
Portanto, ainda que sem tréguas na política, é momento de arrumar fôlego pra ganhar no peito, na raça, no jeito, na praça, e só subir o sarrafo para as alturas.
Confio no Rio, no meu Rio, na pira pirada pelo seu fogo natural, aquele que não chegou da Grécia, mas o que já nos queima nas quatro estações, fora as de trem, o fogo que percorre faz tempo o Brasil e o mundo.

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