Chiclete com banana

Cinco meses mais tarde, o sorriso da Xepa não mudou. A despeito de estar menos rica por causa dos 50% da fiança que não há de reaver, mostrou todos os dentes às câmeras. Mônica teve de abrir mão do chiclete com que produziu a disforme mentira inicial, item decerto indisponível na carceragem da PF.

Após breve resistência, talvez protocolar, com o intuito de ser publicamente desmascarada e, sem alternativas, ser obrigada a falar, deu uma banana para a tal honrada de coração valente, cuja imagem ajudou a construir aos olhos dos cegos, desinformados e oportunistas.

“Não quis atrapalhar esse processo (de impeachment). Achava que ia contribuir para piorar a situação.” Tudo indica que a mudança de seu primeiro depoimento, em que atribuíra os milhões de dólares depositados em suas contas no exterior exclusivamente às campanhas conduzidas lá fora, constituiu o pontapé inicial do processo que seduziria o marido.

Aliás, trata-se de uma natural e recomendável especialidade das esposas, ainda que a sedução do cônjuge, no caso, possa ter ocorrido pela via inconfessável do ciúme, especificamente o de ver a mulher solta na área, talvez pronta a tentar recuperar o tempo perdido atrás das grades. Afinal, quem vai saber o que se passa na cabeça de um bom marqueteiro político, capaz de fazer aquilo presidenta?

O fato é que a delação do casal há de lançar por terra a tese da eterna ignorância adotada por quem foi surpreendida no contrapé, discurso herdado do cliente número 1, acusação que, se não tirou a voz do PT, pois o partido segue com a ladainha da legalidade respaldada pelo egrégio TSE, levou a quimera que carimba as justificativas do patamar de ilusionismo enfadonho ao patíbulo da argumentação ideologicamente falsa.

Portanto, se não escorregar na casca da banana ouro ou pisar no chiclete que há de deixar lembranças em suas pegadas, o casal 20 tem tudo para superar Duda Mendonça na categoria estrago no PT, dessa vez sem a possibilidade de fundação de outro PSOL para abrigar as chorosas vestais, e não pela inexistência de famintos crocodilos lacrimosos.

Dentre os da espécie, o par que mais se destaca é o formado por Narizinho e o objeto de suas Reinações, o Homem Consignado para morrer numa grana. Parte dela foi subtraída de parcelas de empréstimos tomados por funcionários públicos e aposentados endividados.

Após a apresentação do memorial de M Moura, naturalmente revisado pelo baiano Feira, uma vez comprovado o sucesso do conjunto probatório Chiclete com Banana, os ex-ministros de Dilma serão atores dignos de ocuparem o Canecão, onde sempre restará 1 para cantar a inocência dos defensores dos 54% que elegeram Temer. 

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