Faxina

03/08/2016

Meus caros leitores, em meio a uma faxina na minha papelada, aquela que a gente guarda e depois de algum tempo não sabe por que guardou, encontrei esse texto, de muitos e muitos anos passados, com a minha letra, àquela época ainda escrevíamos à mão, mas, sinceramente, não sei se é da minha autoria.

O “alemão” não me deixou lembrar com aquela certeza, como a das poesias que escrevi e continuam vivas em minha memória.

Mas, vamos lá, diz o texto:

"Estava precisando fazer uma faxina em mim... Jogar alguns pensamentos indesejados fora, lavar alguns tesouros que andavam meio que enferrujados. Então tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais. Joguei fora alguns sonhos, algumas ilusões. Papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca dei; joguei fora a raiva e o rancor das flores murchas que estavam dentro de um livro que nunca li. Olhei para os meus sorrisos futuros e minhas alegrias pretendidas e as coloquei num cantinho, bem arrumadinhas. Fiquei sem paciência. Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão. Paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de um amigo, lembranças de um dia triste. Mas lá também havia outras coisas... E belas! Fui me encantando e me distraindo, olhando para cada uma daquelas lembranças. Um passarinho cantando na minha janela (agora me lembrei desse detalhe: era uma sabiá). Aquela lua cor de prata, o por do sol.

Dei um jeito de sentar no chão para poder fazer as minhas escolhas. Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou. Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima, pois quase não as uso, e também joguei fora no mesmo instante. Outras coisas que ainda me magoam coloquei num canto para depois ver o que farei com elas: se esqueço lá mesmo, ou se as envio para o lixão.

Aí fui naquele cantinho, naquela gaveta que a gente guarda tudo que é mais importante: o amor, a alegria, os sorrisos, um dedinho de fé para os momentos que mais precisamos. Como foi bom relembrar tudo aquilo. Recolhi com carinho o amor encontrado; dobrei direitinho os desejos, coloquei perfume na esperança, passei um paninho na prateleira das minhas metas, deixei-as à mostra para não perdê-las de vista.

Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da minha juventude e, pendurada bem à minha frente, coloquei a minha capacidade de AMAR e, principalmente, a de RECOMEÇAR!" 

 

"Frequentemente tenho longas conversas comigo mesmo, mas são tão inteligentes que, algumas vezes, não entendo uma palavra do que estou dizendo". Oscar Wilde.

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