O Sorriso de Feira - A queda da República Obreira

Acaba de morrer no Brasil a República das Empreiteiras. E o sinal mais eloqüente não veio do choro dos engenheiros, mas do sorriso de Feira, braço direito do marqueteiro Patinhas, especialista em construir presidentes.

Sacha Guitry, no “Romance de um Trapaceiro”, teria escrito que tanto devem ser punidos os que emitem cheques sem fundos quanto os que têm fundos sem cheques.

Pois é a trapaça das empreiteiras com o custoso dinheiro do povo, que agora a comunicóloga expõe com sarcasmo. Essa trapaça sabida, velha conhecida, de que todos – governantes, governados, imprensa, justiça – desviavam com pudor o olhar em aquiescente condescendência.

Fez parte do jogo. Durou do Estado Novo ao Estado do Povo. Com o sorriso, entre debochado e vitorioso, se enterra, com a bandeira da vergonha, a engenharia nacional que com orgulho e competência construiu fábricas de fábricas, pontes, viadutos, estradas, usinas e barragens de cair o queixo.

Uma nação começa a ruir quando produz mais papel para explicar o inexplicável do que obras e empregos. Quando nasce a república dos advogados, delegados, procuradores, promotores, comunicólogos e marqueteiros.

Os ratos dos subterrâneos do poder já percebiam os sinais, os comentários que eram feitos às portas de saída das grandes reuniões de empreiteiros com políticos e de políticos com seus indicados para as empresas estatais. Esses, os ratos que recebiam pro rata.

Era quando o arroto avinagrado do bom vinho trazia, com a baforada do bom charuto, um rasgo de bom senso: isso não vai durar. Agora parece ir escada abaixo o país dos privilégios, dos elevadores privativos, dos helicópteros executivos, das torres de marfim. O Brasil blindado, da muralha dos ricos e dos políticos corruptos parece estar a caminho da cadeia, onde sempre se poderá empregar o ouro roubado do povo para construir mictórios.

Os pés de barro estão a ruir e com elas as mãos peludas e os dedos sujos de contar dinheiro roubado.

Please reload