Naquela mesa

 

Reunidos em uma mesa na Justiça Federal do Rio, Cerveró, Fernando Baiano e Paulinho de Lula contavam suas versões sobre a participação de Cunha na áfrica que foi a contratação de navios-sonda para aumentar a produção de pixulecos da estatal. Até que chegou ao local uma visita ilustre, ninguém menos do que a estrela do babado jurídico, o alvo de todo papo criminal que rolava naquele momento.

Cunha roubou a cena. Aliás, apenas um mestre na arte de subtrair do alheio seria capaz de fazê-lo diante de tantos concorrentes tarimbados. A apropriação indébita da imagem, não gravada, porém reproduzida em um esquema divulgado pelo Jornal Nacional, provocou um grande constrangimento entre esses velhos parceiros, reaproximados pelas redes, senão as sociais, as de intrigas premiadas, que vêm possibilitando a pesca predatória de tubarões.

Tendo Baiano permanecido no Tribunal para prestar esclarecimentos suplementares, o operador do PMDB foi poupado do assédio dos repórteres.

Cerveró, com um olho na pena e o outro no acordo de delação, manteve-se quase calado, só tendo comentado, en passant, mas sem esconder uma pontinha de orgulho, que Moro elogiou seu filho ator pela armadilha que capturara Delcídio e grande elenco.

Entretanto, não demorou para que todas as atenções se voltassem para o deputado afastado. Cercado pela imprensa, disse ter ouvido várias contradições nos depoimentos, tendo adiantado que ainda não sabe se recorrerá ao pleno ou se apelará à instância superior.

Entretido com os próximos passos do choro regimental, nem percebeu a saída do seu principal acusador, Paulinho de Lula, em passo gingado e mascando o chiclete proibido, justamente o diretor que atirou a primeira pedra, Iaiá.

Livre e barbudo, curtindo o semi-aberto de boné alusivo ao evento, talvez para homenagear o padrinho, o delator-mãe cantava como um passarinho que acabou de sair da gaiola. Há quem garanta que o trecho escolhido para deixar a Corte Federal foi o estribilho da bela música que Sérgio Bittencourt compôs em homenagem ao seu pai, o grande mestre do choro Jacob do Bandolim: “Naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim.”

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