Marcha à ré.


Recém saído do buraco que se meteu por anos a fio, o combalido Brasil encara mais uma olímpica prova de obstáculos, onde a paciência com o regulamento é o principal em jogo, reiniciado na manhã de hoje, com a atmosfera ainda embaçada pela emoção do golpe que sacudiu o país, o de judô.

A marcha à ré de Dilma já começou, mas tudo indica que as questões de ordem apresentadas pelo PT e seus satélites devem deixar a sessão do Senado em ponto morto.

Aliás, por falar nesse ponto, como bem sentenciou o senador Magno Malta, em alusão aos cuidados com a desenganada, "O dono do defunto tem direito de abrir a tampa do caixão quantas vezes quiser, mas uma hora vai ter que ter sepultamento".

Seguindo o féretro aberto pelo parlamentar capixaba, se a alma penada afastada ainda é moribunda no que tange à decisão final, que requer a condenação por, no mínimo, 2/3 dos votos, eu quero crer que toda a obstrução de hoje, destinada a brecar a maioria simples, necessária a transformar a investigada em ré, tenha dó, apenas fará coro ao mimimi do golpe, ladainha entoada pelas carpideiras sustentadas pelo caixão 2 desencavado das profundezas do Petrolão, que há de dar vida aos coveiros de amanhã.

Uma vez proclamado o aviso de falecimento, restarão os ritos e as liturgias inerentes ao definitivo enterro político, e o olfato há de proibir a procrastinação eterna.

Fechando o parêntese que acompanhou o cortejo fúnebre acima, confesso que estou bastante curioso em relação ao desempenho do presidente da mediúnica sessão.

Espero não voltar a ficar de luto, e cabe lembrar que se mantiverem a ré, o país voltará pro buraco.