A tal da infidelidade

 

Reza a Lei nº. 9.096/95 – Lei dos Partidos Políticos – em seu Capítulo V – Da Fidelidade e da Disciplina Partidárias - que um parlamentar legitimamente eleito pelo voto popular pode vir a perder o seu mandato, “na conformidade do que disponha o estatuto de cada partido”. Há muitas controvérsias! Até porque os partidos políticos hoje em nosso país são verdadeiros “sacos de gatos”. Não existe uma linha básica de pensamento, uma diretriz a ser seguida, uma coerência política, uma raiz ideológica, apesar de tudo isso estar muito bem explicitado em cada estatuto partidário. Mas lá, na mesma Lei 9.096/95, está bem claro no artigo segundo das Disposições Preliminares que se faz necessário “respeitar os direitos fundamentais da pessoa humana”. Não é bem isso que temos visto por esse Brasil de meu Deus. Basta um parlamentar (que é quem tem os votos) discordar de decisões arbitrárias de alguns “caciques políticos”, que só vêm o seu lado e dos seus apaniguados, para se iniciarem as perseguições e ameaças de expulsão e até mesmo a perda do mandato, conquistado legitimamente nas urnas. Isso sem falar nos medíocres que ficam nas suplências, que não conseguem se eleger e antes mesmo das eleições já estão de olho no lugar de quem pode vir a ser eleito e são os primeiros a alardear que o parlamentar está sendo infiel, está desrespeitando o estatuto do partido etc, etc e etc. Essas questões afloram constantemente em época de eleições, como a que estamos vivendo agora. Os fisiológicos, os que não têm compromissos com ninguém, que “mamaram” durante toda a administração dos atuais prefeitos e sentiram que um outro candidato pode vir a ser eleito, como os ratos, abandonam os barcos e firmam coligações novas, sempre na esperança de continuarem com a “boquinha” ficando do lado dos possíveis novos donos do poder municipal. Os que se mantiveram fiéis a seus princípios, os que preferiram cumprir com seus compromissos assumidos anteriormente e não costumam abandonar os barcos, até porque não concordam, às vezes, com a maneira, com o jeito, de como as coisas se desenrolam em política, de como são feitos esses acordos, estão sendo ameaçados, depois de reeleitos, evidentemente, de expulsão e até mesmo da perda dos mandatos. É por essas e por outras, que tem muita gente enojada com a política. É por causa de atitudes espúrias como essas que se está pregando, através da Internet, o voto nulo ou em branco. Fica difícil para nós convencermos alguns amigos que devem se dirigir a um local de votação em outubro próximo e votar. “É tudo farinha do mesmo saco”, é o que mais ouvimos dos eleitores decepcionados com essas atitudes. Tomem tenência senhores, tomem tenência.

 

“De tanto ver triunfar as nulidades, prosperar a desonra, crescer a injustiça, agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chegar a desanimar-se da virtude, a rir da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Rui Barbosa.

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