Cinderelas Metroviárias

 Algumas medidas são simplesmente irracionais no plano de transportes dos jogos Rio 2016. E nem falo das prerrogativas da tal família olímpica, cujos patriarcas possuem privilégios de dar inveja ao senado federal em tempos de toga sobre o paletó.

Nem entrarei no mérito das insanas operações com batedores, capazes de fechar inutilmente avenidas inteiras por longos minutos, ações desnecessárias que provocam monumentais engarrafamentos instantâneos que serão vencidos por outros batedores, configurando círculos viciosos nas pistas eleitas e pobres perpendiculares.

Imbuído do mais elevado espírito olímpico, ainda que de cara amarrada no topo do pódio sem medalhas, mais alto para ver bem longe a extensão da imobilidade urbana, posso aceitar e relevar as ponderações dos especialistas em segurança, tudo para que todos nós possamos morrer de velho.

Entretanto, joga com a minha imaginação a fantasia de quem estaria por trás da decisão de fechar o metrô antes do término das competições. E, ainda mais intrigante às vésperas das eleições para prefeito, quem foi o marqueteiro amigo que colocou na boca do secretário executivo do governo a estultice de que a saída das provas à meia-noite garante a integração do BRT com o metrô da Linha 4. Justo a que recebeu financiamento especial de última hora para ser entregue durante dos Jogos?   

Após as palavras mágicas da autoridade municipal, imagino uma grande composição formada não por vagões lotados de turistas e amantes do esporte, mas por caríssimas abóboras vazias importadas da China. Pra que a estação de metrô prontinha em agosto se não há trens circulando quando esses usuários especiais mais precisam?

Quantos pés de sapatinhos de cristal serão perdidos nas estações para que as pobres cinderelas, sem fadas-madrinhas ou padrinhos da família, não percam o último embarque?

Please reload