A Carta Bamba

O próximo doze de setembro ficará para sempre na história de nossas torres gêmeas, as que compõem o Congresso. A sorte caracterizada pela cuia virada para Lua ditou o ritmo de quem está com o abaulamento assentado embaixo, por medo ou convicção.

Ali por perto, na mesma Praça dos Três Poderes, o usufrutário de outras curvas de Niemeyer enfim poderá viajar. E o fará sem sustos extras para tocar em frente seus negócios da China com o G20.

Protegido dos três poderes de Cunha, aquisitivo, coercitivo e fiduciário, este oriundo de uma suposta futura delação, o ex-interino efetivado estará de volta para vê-lo seguir de mala e cuia para o foro não privilegiado de Curitiba.

Por outro lado, esgotados os últimos recursos à OEA, ignorados os patéticos apelos à ONU e desprezados os alertas feitos pelo candidato democrata derrotado Bernie Senders, só caberá à presidenta inocenta caprichar no discurso de descida da rampa.

Mas como obter a repercussão necessária à campanha pelo plebiscito sobre eleições gerais, se o próprio partido já não lhe dá ouvidos? Como chegar ao equilíbrio necessário se os bambambãs e candidatos do PT em outubro já pensam duas vezes antes de se referirem ao impeachment como golpe?    

Ainda bem que inventaram o editor de texto, pois dizem que a carta em que Dilma se despedirá do País já anda em sua vigésima versão, endereçada a todos os brasileiros, e não apenas àqueles que acreditam em golpe, no Papai Noel, na escritura de Atibaia e no ET de Varginha.

Não fosse o inenarrável prazer de testemunhar os últimos dias de impropérios e demais agressões contra os auxiliares diretos, a abnegada turma que ainda frequenta o Alvorada já estaria pedindo deferimento para aquisição de penico oficial pela Lei 8666.

Entretanto, considerada a falta de personal-marqueteiro por razões de força maior, ofereço-me para a função remotamente. Sem nada cobrar, recomendo uma expedita visita às redes sociais. Uma breve incursão pelas novas mídias confirmará que a repercussão das palavras de Dilma ao longo desses 13 anos de convivência forçada foi bem maior quando a espontaneidade falou mais alto.

Portanto, creio firmemente que o melhor seria um improviso, e não uma carta formal, documento que, provavelmente, seria engavetado ou resumido nas redações.

Ou, na conjuntura atual de falta de palanque e plateia sem mortadela, sugiro que tais memoráveis sandices pudessem correr o Brasil depois de taquigrafadas ou gravadas ao léu por um celular qualquer, talvez o do “Bessias”, grampeado de antemão pela PF.

Ou ainda que as maiores asneiras, sucessos inquestionáveis de público e crítica, fossem editadas para ilustrar a grande despedida do microfone com a mensagem das urnas.

A iniciativa decerto consagraria a estocadora de vento eleitoral por meio de uma coletânea com the best hits da ogra sapiens em versão epistolar, carta bamba entre o sim e o não plebiscitários, onde a mandioca cantaria em prosa e verso.

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