Sexo, Mentiras e Videoteipe

Steven Soderbergh jamais imaginaria que, passadas quase três décadas de seu cultuado filme, haveria um incidente internacional que encaixasse tão bem no enredo do longa-metragem, razão pela qual tomo emprestado o título.  

Se a carta de Dilma já não despertara a menor curiosidade entre os brasileiros, mais interessados nos julgamentos instantâneos do voleibol e golpes de judô do que os que se arrastam por mais de 100 dias, o Ibope da TV Senado despencou.

A atual audiência encontra-se totalmente voltada para o esporte, também embalada por aquilo que a tecnologia proporcionou às quadras. Já o futebol anda na moda apenas pelas questões de gênero, pois nada de novo mostrou no campo e, ainda por cima, ainda vaga pela idade da pedra ao se recusar a dar tratos digitais à bola.

Entretanto, considerado o judô, o boxe e o salto com vara, a nova coqueluche nacional que vingou Zidane, o caso dos nadadores americanos acabaram por deixar a missiva da mulher sapiens abaixo do top ten local.

Por envolver sexo, mentiras e videoteipe das câmeras da Vila Olímpica e da Casa da França, onde estiveram antes de se depararem com o bondoso assaltante, o babado olímpico logo alcançou o topo do pódio referente ao trend topics do twitter, algo como as dez notícias mais comentadas pelo padrão Aldo Rebelo de comunicação nas redes sociais. O fato é que o controverso assalto aos medalhistas ianques fez com que a manifestação escrita da ré, preparada para a posteridade, logo submergisse em águas profundas.

Ao saber que a traída pelo nadador protagonista é uma legítima coelhinha da Playboy, e que um coadjuvante foi retirado do avião por policiais brasileiros, à moda americana, como no caso do francês DSK com a arrumadeira nova-iorquina, o caso tem tudo para virar filme de Hollywood. Proponho um remake, em que François Hollande, maior beneficiário – político, que fique claro - do priapismo do então diretor-geral do FMI contrataria a profissional para obter a sonhada indicação do Partido Socialista Francês, onde Strauss-Kahn nadava de braçada.

Pensando bem, a carta de Dilma também se encaixa perfeitamente no título. Videoteipe de tudo que vimos até aqui, e recheada de mentiras, o sexo fica por conta do que ela fez com as contas públicas. E com a Petrobras, aqui e no exterior.

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