Se beber, não fale

 

Veja bem: a língua não enrola à toa. É da natureza, exatamente para o órgão da fala ficar quieto e não arranjar problemas com a mulher ou com a polícia, por pior que seja a fama de uma ou de outra, no pior sentido da palavra “pior”.

No caso dos tiras, quem já viu filme americano sabe das conseqüências por lá, tanto que o direito de permanecer calado é sempre lembrado aos locais, mas não no quintal do sul.

Como o briefing preparado pelo consulado carioca deve ter sido extenso, o speech decerto ultrapassou o capítulo do mosquito da zika que atacaria a bela goleira Hope pelas redes, I Hope so.

Enquanto os patrocinadores de Lochte não exigirem que desculpas públicas do enfant térrible da natação norte-americana sejam dirigidas aos assaltantes cariocas, que passaram por otários diante de seus concorrentes pertencentes a outras esferas da espoliação organizada, seguirá rolando pelas telas do planeta um explosivo case de marketing de emboscada. E só a Shell tem a fórmula, razão pela qual o boquirroto parece não temer ficar sem a sunga Speedo quando a maré baixar nas piscinas olímpicas.  

A história do herói medalhista não colou desde o início por aqui, pois sempre soubemos que nossos criminosos jamais poupariam os passaportes, relógios, cartões de crédito, celulares e carteiras dos atletas de quaisquer nacionalidades. Isso porque não têm preconceito religioso ou de raça, são ótimos em mímica, além de bastante convincentes até mesmo na comunicação com quem só entende cantonês ou servo-croata.

Por essas e outras, por estas bandas experientes, onde o biscoito Globo vence a pasta de amendoim pela logística de entrega just in time, ninguém acreditou na história do contador de ladrilhos.

Portanto, se é fato que aquele que falou demais pode ser punido exemplarmente pelo bolso, nunca antes na história deste país, quiçá do mundo – sorry, Lula – um merchandising global foi tão bem explorado. Afinal, desde os primórdios do rádio e da tevê, ouvimos que podemos confiar na Shell – you can be sure of Shell na linguagem mundial da multinacional Royal Dutch, que excedeu no número de câmeras em seu posto da Barra da Tijuca onde ocorreu o conturbado “piss stop”. As imagens distribuídas mundo afora incluíram o nome da loja de conveniência, Select, na tomada do banheiro depredado. A partir do merchandising, o mundo passou a confiar naquilo que os cariocas sempre souberam: caô do gringo mané, mermão. Foi mermo.

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