Sonhos olímpicos

Nunca mais o Rio viverá sonho igual, maior do que o carnaval e os anos do Brasil imperial.

Isaquias da Conceição Triste vem avisar que o brasileiro, de tanto esperar, acaba de ganhar sua medalha olímpica: a da esperança.

O brasileiro, profissão esperança, está no alto do pódio. Provou para o mundo inteiro o seu valor e provou mais ainda – coisa que nenhum teórico da política conseguiu – que americano fala mentira.

Do solitário de Tuvalu, o país dos dias contados da lenda do aquecimento global, ao atleta de Tonga da mironga da Polinésia, banhado no óleo da baleia do Pacífico, a festa, em sua beleza, veio desnudar a pequenez das pequenas discussões a que nos apequenamos os pequenos brasileiros.

Mostrou o quanto o brasileiro andava sofrido ao olhar o próprio país, a ver desesperançado o futuro ir para o buraco. O Brasil monumental, exuberante, foi exposto aos olhos maravilhados do mundo.

No judô, a brasileira e a francesa. A torcida é forte. De repente, a brasileira Mayra derruba a francesa Tcheumeo. O torcedor está pasmo: “achei que a neguinha era a nossa!!!”

A nossa Gisele... O esforço dos atletas, a superação dos atletas, tendo a garra e a disciplina como apoio e incentivo e jogando as suadas medalhas de ouro, prata ou bronze, na cara das elites políticas indecentes, presas ao mundo das discussões estéreis, fingindo-se perdidas entre miudezas e minudências, enquanto lá, no campo, no ginásio, no tatame, na vara, o brasileiro real mostra seu valor.

Fora desse debate estéril e enganoso, que corre atrás do próprio rabo, enquanto articula mais uma ferrada no povo, os atletas – contra tudo – apontam a porta da esperança que se abre e mostram que a saída está aí, na criatividade, no esforço, na disciplina, na crença, na luta, na superação, ao alcance de todos.

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