Mantega faz mal ao coração


À primeira vista, em leitura dinâmica, o título não traz grandes novidades, sobretudo quando aplicado a ovos fritos na mídia. Entretanto, é hora de pôr os pingos nos is, e não a vogal inteira ao fim da segunda sílaba da primeira palavra.

Como pivô de mais essa agressão à saúde da Petrobras, surge o premiado recordista de resistência na economia. Premiado em delação, apenas. E, em mais uma oportunidade, a Odebrecht aparece como protagonista, dessa vez voluntariamente. Despontou pela vias da desoneração do imposto de renda sobre o lucro de empresas brasileiras no exterior e de sua folha de pagamentos lá fora. Alô, alô, palestras republicanas lavadas a jato!

Portanto, o substantivo que encabeça o texto é próprio e o aludido coração é valente. Já quem condena o produto é justamente o defensor contratado pela rançosa figura. Tudo porque a bovina autoridade vinha periodicamente da Fazenda para comandar a farra do boi que virou a nossa estatal do petróleo.

A condenável incursão era repetida a cada reunião do Conselho de Administração, cuja posição herdara por rígidas regras eleitorais, formuladas para inglês e o TSE verem.

Nesse ambiente supostamente empresarial, assim que Dilma passou de presidente do CA a candidata a presidenta da república, ainda em 2010, Mantega se tornou o responsável por fazer valer a vontade da chefa da cozinha de Lula, localizada na Casa Civil.

Com os seus conhecimentos de economia, o língua-presa passou a ser a voz da gerentona que destruiu a Petrobras, coincidentemente com os mesmos conhecimentos de economia.

Como não se pode fazer omelete sem quebrar ovos ainda crus, o advogado de Mantega sustentou que a desoneração fiscal é uma decisão multidisciplinar de governo, não de um ministro, no caso o seu constituinte, denunciado pela mulher do Feira por lambuzar o tabuleiro da Odebrecht no exterior.

Para não desandar a Receita, tal suposta intermediação surgiu na delação da construtora baiana que, como se sabe, sempre preferiu o dendê.