A independência da TV pública

Um só dia – o dia 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil – bastou para que as emissoras comerciais da TV aberta justificassem a existência da TV pública.

Na sua miopia comercial, exceto a apedrejada TV Brasil, nenhuma delas abriu mão de sua rendosa audiência para transmitir a emocionante cerimônia de abertura dos Jogos Paraolímpicos.

E nenhuma delas, exceto a sempre criticada TV Brasil, transmitiu os desfiles militares de 7 de Setembro, evento que ávida, briosa e júbilo chaleiro, as emissoras comerciais de TV aberta, com bajulação, se prestavam a transmitir, com elogiosos e cívicos comentários, nos idos anos da Revolução Militar.

Costumam criticar a TV Pública pela régua da audiência das TVs comerciais.

A régua da audiência da TV Pública não é a mesma que mede a audiência das TVs comerciais.

Costumam dizer que as TVs abertas comerciais são gratuitas. Não são gratuitas: a programação é financiada pelos anunciantes. O custo da propaganda é embutido no custo do produto e todos pagam por ele, mesmo quem não assiste TV.

Embora concessões públicas, as emissoras de TV se movem por objetivos distintos: o das TVs comerciais é o de atender ao mercado comercial, o de obter audiências a qualquer preço para alavancar resultados comerciais, com os quais financiarão a produção de seus bons programas e obterão lucros. O das TVs públicas é o de promover a educação, a inclusão e a promoção social, a diversidade, a cultura.

A questão não é nova. Um velho concessionário de TV aberta, o pioneiro Roberto Marinho, defensor da cultura e reconhecedor do papel transformador da televisão, recomendava a seus executivos que programassem balés, óperas e concertos na sua TV Globo. E raramente era atendido sob o argumento de que tais programas não davam audiência.

Todos os valores exaltados na excepcional cobertura dos Jogos Olímpicos foram jogados agora por terra pela cegueira e falta de coragem dos programadores das TVs comerciais.

É uma pena que a TV pública brasileira, além do bombardeio recebido pela concorrência comercial, tenha ela mesma cavado o seu buraco, através do inchaço, do aparelhamento, do endividamento e da má gestão.

Não fosse por isso, o 7 de Setembro justificaria a sua existência.

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