Pas-de-deux

 

A abertura dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 emocionou do princípio ao fim. Entretanto, reservou alguns momentos muito especiais, de puro entretenimento. Se a Globo não passou a cerimônia, mas a desconhecida TV Brasil transmitiu em canal aberto, azar dos fiéis seguidores das novelas e do jornal, que tiveram de conferir os melhores momentos pela ótica dos editores, sem a emoção do famoso conjunto da obra. Era hora de exercer não o propalado controle da mídia, mas o botão do controle remoto.

Se faltou paciência com a campeã de audiência, sobrou um ótimo troco para o Sportv2, o canal campeão no cabo de guerra puxado pelo assinante curioso, que teve de descer um “zap” pra chegar ao Maraca.

A diversão irrompeu em campo de cadeira de rodas. Deslizou por uma rampa radical para engrenar uma cambalhota em outra roda vertical, que se fez de samba na horizontal. É no boteco a outra praia do carioca, além da praia do biscoito Globo, hoje global, mesmo sem a Globo.

Após o aclamado pôr do sol no Arpoador, fomos arpoados pelo desfile vibrante, um sol em cada rosto que não se pôs com a chuva que botou ainda mais molho em um delicioso e inusitado pas-de-deux.

Estrelado por uma linda atleta dançarina e seu vigoroso partner, um parrudo robô automotivo que conseguiu ser delicado com a moça, tendo respeitado o estatuto da gafieira, a dupla arrebentou. 

Foi de arrepiar a sensual e didática dança entre mulher e máquina que ajuda a "voar". A metáfora da grande sacada por trás das tecnologias que auxiliam o movimento - e a vida por extensão - foi assinada pela ex-bailarina e atual coreógrafa do Grupo Corpo, Cassi Abranches. 

Além de todos os atletas paralímpicos e da torcida do Flamengo, agora o Maraca também é dela, apesar de santista roxa.

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