Dança com robôs


Colossus, a primeira máquina inteligente, a inteligência artificial, vai escolher os “escolhidos” para o caminho iluminado.

Nada da dor existencial de descobrir que Papai Noel e o coelhinho da Páscoa não existem.

O Wurgeoder Mordesum, o scanner do cérebro, revelará os pensamentos mais absurdos, os segredos mais escondidos. Como meu novo celular, que parece ser yeogui transcendente: é já capaz de captar conversas e mensagens indesejadas.

Agora, a sedutora e comovente dança da paraolímpica Amy Purden com o robô máquina vem provar que os homens já não servem para muita coisa.

Dançaram.

Já não há horizontes de ilusão, já não há paisagem onírica no universo em disrupção. Já não há surpresa ou emoção no gesto humano não robotizado. Como será a dança de Fred Astaire e Ginger Rogers para além do bem e do nada? Como será bailar na nuvem da quinta dimensão?

Há agora uma dança inspirada no moonwalk, o passinho, em que se dão passos e passos para afinal não se chegar a lugar algum.

No mundo virtual desaparecem os compromissos do real e novos laços se formam. O virtual irá expor os segredos do mundo real: bebestializados, mesmerizados, autômatos robô-dependentes, vagando como zumbis, o homem se deixará seduzir pelas fantasias virtuais, que atraem e seduzem noutra realidade, narcotizante, viciante.

Lá onde o futuro molda o passado e o enigma se desvenda ao contrário. Como em M. C. Escher, a profecia se completa antes da previsão, o efeito antes da causa, o fim antes do começo, como a flor que já nasce sem pétalas.