Nos tempos da Cartolina

Apesar de terem andado juntas por um bom tempo, a cartolina sobreviveu à brilhantina.
Eram geralmente feitos em cima de cartolina os maiores desafios de alunos e condôminos, obrigados a apresentar trabalhos sobre qualquer coisa, de monções do Índico a moções contra o síndico.
E era muito comum que, em trabalhos em grupo, uns e outros deitassem na sopa, por falta de tempo ou convicção.
Contudo, não raro, minutos antes da entrega, alguns iluminados surgiam do ócio (in)voluntário para arruinar a apresentação com uma ideia brilhante, e não por causa do produto que usavam para domar os cabelos. Eles não tinham PowerPoint.
Imagino o frisson causado na reunião de cotistas do Edifício Solaris, no Guarujá, quando a falida Bancoop foi substituída pela pujante OAS. Quem seria o laranja do Homem?
Sim, pois qualquer decisão seria submetida ao crivo daquele que salvara o prédio das garras da Cooperativa dos Bancários, especializada em fingir bancar otários na bancarrota.
De salão de festas a espaço gourmet, tudo seria decidido pela patroa dele.
Nos tempos da cartolina, como os investigadores enfiariam o vértice comum entre enriquecimento e José Dirceu?
Só com muita brilhantina.

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