Suando frio

Fiz faculdade de Engenharia na UFRJ e, ao final do curso, concurso público para a Petrobras. Passei na prova e fiz especialização em Petróleo. Resumindo a parada, trabalhei 34 anos por lá. Com quase 40 de contribuição previdenciária, achava que não teria de me preocupar pelo resto da vida, como declarou Lula em meio aos apóstolos.

Só que não. E a explicação está na própria origem do que o messias sindical e estudantil proclamou aos fiéis seguidores.

Abre aspas - "A profissão mais honesta que existe é a do político, sabe por quê? 
Porque por mais ladrão que ele seja de 4 em 4 anos ele está lá suando e pedindo voto, o concursado não! O concursado faz a faculdade, passa num concurso e tem o seu emprego pelo resto da vida, sem precisar se preocupar." Palavra da salvação.

O fato é que alguns concursados, e não só da Petrobras, desejavam ardentemente se tornar políticos, para só terem de suar de 4  em 4 anos, e Lula era um belo exemplo, forjado entre os metalúrgicos. Gushiken, pelo braço bancário da CUT, outro. E os petroleiros não ficaram de fora.

Portanto, esses heróis nascidos do capitalismo selvagem buscaram a via sindical para enfrentar a empreitada política, onde o suadouro se dá de 3 em 3, mas com todo conforto, apenas nas portas das unidades. E foram esses sindicalistas que atacaram os fundos de pensão das estatais, e consequentemente as aposentadorias daqueles que achavam que não precisavam mais se preocupar.

Entretanto, depois da anunciada queda do valor da aposentadoria, ainda viria o certeiro coice verbal. Fomos considerados piores do que o mais ladrão dos políticos pelo mestre petista, sem dúvida um especialista em bandidagem coletiva desde os tempos dos 300 picaretas. Pelas palavras do “sem cobertura”, Renan é melhor que todos nós. Pelo discurso do “sem sítio”, somos piores do que Cunha. Pelo sermão do sem vergonha, estamos abaixo da própria jararaca, ora desfeita em lágrimas de crocodilo.

Que pela sentença de um juiz concursado venha a condenação dos políticos que perderam o foro privilegiado, pelo qual suavam de 4 em 4 anos.

Curiosamente, tudo começou pela delação de um engenheiro de petróleo concursado, mais curiosamente ainda, conhecido como o Paulinho do Lula, Lula que se comparou a Jesus, provavelmente o do Palmeiras, o Gabriel, mestre na arte da simulação para enganar os juízes não concursados.

Please reload