BR 116 - A Via Crucis


Poucos notaram o que percebi na declaração de Lula de que se fosse encontrada uma única prova de corrupção contra ele, o santo homem iria a pé para a prisão. Confiança na lisura dos atos pretéritos? Convicção de absoluta falta de provas e a consequente inocência? Vejo, em vez de tais possibilidades, o manifesto desejo de não chegar a Curitiba por meio de mensagem subliminar aos apóstolos. Imaginem, caros leitores, o séquito que se formaria para seguir o mártir pela Rodovia Régis Bittencourt, estrada da morte. Um cadafalso a cada quilômetro, paradoxalmente sem pedágio. Duvido que a Polícia Rodoviária Federal permitisse a passeata dos perseguidos sem provas. Se o mestre tivesse declarado que iria de bicicleta para a cadeia, talvez sua intenção fosse angariar votos para o velho poste Haddad, carcomido pelo tempo de 4 anos, mas disposto a ampliar suas ciclovias até os umbrais da penitência terrena. De barquinho ou pedalinho, a jurisdição permaneceria a mesma. Os papagaios petistas, sobretudo os de pirata, que repetiram nas redes a narrativa partidária da convicção sem a devida prova, serão postos à prova, na luta contra o mal encarnado pelos procuradores do MPF. Perdoar os que não sabem o que fazem? Isso é só com o imaculado. Quem repetir à exaustão o discurso com as respectivas parábolas merecerá um lugar VIP na futura romaria a Tremembé. Peregrinos de Santiago de Compostela, tremei!