Pesquisas improváveis


Nesses tempos de pesquisas eleitorais antecipando quem virá aí para nos ferrar, vejo nos jornais que há outro tipo de pesquisa científica a atrair até a atenção do prêmio Nobel. Uma delas garante que pornografia e eleição têm mais a ver do que sugere a vã filosofia e a realidade da política: estudo da Universidade Rutgers registrou que as visitas a sites eróticos aumentaram em todos os sítios onde Barack Obama foi o mais votado.

São as pesquisas bizarras às quais os estudiosos se dedicam como a de que homens, sobretudo os tolos, dizem “eu te amo” primeiro ou aquela que concluiu que casaisinhos que conversam em “mimimis” e “momozinhos” são os mais felizes. Os testes garantem: as pessoas tendem a beijar com a cabeça inclinada à direita, cada um a seu tempo, claro.

Outra garante que o efeito dopaminérgico do álcool ajuda no aprendizado, aumentando a capacidade sináptica do cérebro, ao menos para os que ainda têm cérebro.

Os mais velhos gostarão de saber que o equilíbrio emocional se alcança aos 60 anos, justamente quando não mais precisamos dele. E as citações pseudoprofundas agradam às pessoas com QI mais baixo. QI, no caso, pode bem ser o “quem indica”, o que nos remete ao baixo nível das indicações políticas para altos cargos da administração.

Um veterinário relatou a sua experiência científica entre texugos e cervos no livro premiado “Being a beast”. Outro se vestiu de bode e acabou relatando a experiência em “Goatman: How I took a holiday from human being”. Um físico demonstrou que as libélulas têm tendência suicida ao serem atraídas pelas lápides negras dos cemitérios e outro que os cavalos de pelagem branca sofrem menos ataques de moscas. Talvez por isso fossem os da Camargue os preferidos de Napoleão.

Mas o vencedor do Nobel bizarro deste ano foi o sexólogo que vestiu ratos com calças de poliéster, lã e algodão para avaliar que efeito cada tipo de tecido teria na atividade sexual. De fato, os ratos com suas prolactinas e moxidectinas têm muito a nos ensinar em matéria de sexo. Talvez só percam para os coelhos e para o pulgão do repolho.