Eike chance, Eike medo

Até o dono das empresas X ser pronunciado pela justiça federal, pronunciava-se, a título de despertar o interesse para a oportunidade de negócio, “ei, que chance!”

Já o pobre denunciado na premiação do X9, língua presa no sotaque condizente com a nacionalidade das contas irrigadas no exterior, pronunciaria “ai, que medo”.

Contudo, o idealizador do testemunho VIP não é um delator, mas um empreendedor, e não há de deixar ninguém na mão, sobretudo pelo ora aparecimento a todos do nicho de mercado que decerto vislumbrara com a antecedência dos visionários.

O incorrigível poli-investidor sabe como ninguém, ainda melhor que os consultores de RH atingidos pelo tsunami econômico em que se tornou a marolinha, que é na crise que surgem as oportunidades. E a tela do PowerPoint apolítico contemplando o mesmo ideograma chinês para as duas situações não os deixa mentir além do habitual conteúdo da palestra motivacional.

Como arrojo não lhe falta, o ex-BiBiBi da Forbes saberá vender a ideia para potenciais acionistas com bom faro. Tudo vai ao encontro da recuperação judicial das empresas X, que já encontrou um piloto para demonstração da viabilidade técnica e econômica do ousado empreendimento dutoviário.

Com a perspectiva de X anos atrás das grades, maiúscula incógnita a assombrar a dosimetria da pena, com X tendendo à perpetuidade, Dirceu, até aqui o mais perseguido guerreiro do povo brasileiro, prisioneiro político que apodrece nos calabouços de Curitiba, poderá servir de modelo de financiamento do seu próximo projeto com cláusula de sucesso comprovável por classificadora cubana ou qualquer similar bolivariana.

Com a experiência adquirida em mineração e na perfuração de poços secos, os ideais para facilitar a passagem de humanos e desumanos, o empreendedor poderá comandar uma organização disposta a empreender fugas sensacionais das cadeias onde deverá instalar seus próximos denunciados.

Trata-se de uma regra básica de garantia de mercado que foi responsável pela vitoriosa cadeia de suas empresas, como, por exemplo, a OSX trabalhando para a OGX, por sua vez uma fornecedora de insumos para a MPX, com todo o mecanismo de supply chain controlado pela holding EBX.

Assim, em tese, Eike denunciaria o secretário executivo, o ministro, o(a) ex-presidente(a), e arranjaria, via repatriação de recursos do exterior, o financiamento da obra e a futura exportação dos prisioneiros políticos para nações companheiras.

Com a devida indenização dos advogados pela obrigatória inclusão de item sobre lucros cessantes, a liberdade seria obtida por meio de túneis escavados em qualquer tipo de solo, inclusive o pantanoso terreno metafórico.    

Adaptado, o modelo atenderia da masmorra curitibana até a segurança máxima de Presidente Bernardes e Presidente Venceslau, espécies de pré-sal do complexo penal brasileiro, onde colegas de faixa presidencial poderão ser hospedados em futuro próximo, sem a odiosa restrição de gênero. Eike medo! Eike chance! 

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