Omertà - O código da língua presa

“O PT informa que todas as doações foram legais, registradas no TSE e aprovadas pela Justiça Eleitoral”. Quem ainda não leu este bordão surrado ou ouviu esse carimbo sonoro ao longo dos últimos 30 meses?

Destituída de qualquer ligação com os acontecimentos, a frase cínica resume o vergonhoso nada, simboliza o silêncio cúmplice.

Pois a deflagração da operação Omertà, 35ª fase da Lava-jato, foi batizada com esse nome por causa do código de conduta da máfia napolitana, onde o silêncio dos investigados era a única resposta aceita pelo capo.

Por mais uma trapaça da sorte, realidade que agride a verossimilhança buscada pelos ficcionistas, vários dos principais líderes petistas têm a língua presa, o que faz soar ainda mais brilhante a fonoaudiologia metafórica da prisão de “Palófi”.    

Esperado hoje em Bangu, não no complexo penitenciário, mas no palanque da comparsa incondicional, Lula agora tem mais um subordinado para se preocupar. Isso porque o topo da dita organização criminosa já começa a ficar maior dentro do que fora das grades. E a concorrência lá dentro exige mais do que maços de cigarro.

Tendo apelidado a operação Arquivo X, que prendeu outro ministro língua (e roda)-presa de Boca de Urna, tudo indica que o poderoso chefão irá botar a boca no trombone para denunciar mais essa arbitrariedade do MP e da PF contra o seu partido, vítima de cerrada perseguição às vésperas das eleições municipais.

Sorte que os eleitores brasileiros sabem que todas as doações arranjadas por Vaccari, Mantega e Palocci, entre outros arrecadadores das campanhas de Lula e Dilma, foram legais, registradas no TSE e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Portanto, não cairão na esparrela criada pela elite branca contra o partido que defende os pobres.

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