O visitante do futuro

A notícia do dia é que um terráqueo do futuro, perdido em sua máquina do tempo, teria chegado ao nosso tempo: aportou nas imediações de Tóquio e foi logo gravando entrevista para um canal digital. Assegura ter vindo do ano 2062 para verificar como andam as coisas por aqui.

Ao visitar nosso louco tempo, ficou logo sabendo que, apesar do raio não cair duas vezes no mesmo lugar, um mesmo australiano teve o pênis picado duas vezes pelo mesmo tipo raro de aranha venenosa. A mulher dele, é claro, não acreditou já que, nas duas vezes, a aranha deixou o mesmo perfume.

Soube também que jovens russas estavam leiloando a virgindade na web para financiar os estudos, como antes faziam as alunas de Montparnasse nos cabarés de Montmartre.

O visitante do futuro deixou um vídeo postado no canal Assombrado. Revelou, em sua linha do tempo, que, lá na frente, as pessoas não mais andarão em passos curtos ou largos, vagarosos ou apressados: saltitarão como coelhos e esquilos. Até as muletas terão molas.

Toda energia será solar: um carro voará 10 mil quilômetros com um litro de gasolina que, ao que parece, para nada mais servirá.

Contou que a viagem do futuro ao passado pareceu-lhe como o mergulho num buraco de minhoca, uma experiência não relatada nem por Freud nem por Breuer.

Sobre o amor disse nada, mas sobre os relacionamentos revelou que são comuns, lá no distante futuro, os casamentos com alienígenas, nascendo daí crianças híbridas responsáveis, em parte, pelo notável avanço tecnológico.

Antes desse visitante do futuro, outro, chamado John Titor, despertou a curiosidade por aqui ao revelar que vinha do ano 2038 com a difícil missão de buscar um velho computador com um sistema, que, embora ultrapassado, guardava o segredo do bug do milênio, capaz de salvar a humanidade inteira. Acabou levando um telex, um fax, um mimeógrafo e um catálogo telefônico.

Este maluco beleza de agora deve ter se sentido como Raul nascido há dez mil anos atrás.

Quando voltou ao ano 2072, dez anos depois da visita à Terra, já não se lembrava de nada.

Deixara toda a memória na nuvem.

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