Sem saída - nada vai mudar!

30/09/2016

 

— Definitivamente mudei de opinião: vou anular meu voto!

Conversava com Maria Helena Ribeiro e, quando ela perguntou, a resposta saiu sem querer.

Passei a semana publicando artigos de amigos sobre a utilidade do voto, mas agora, a dois dias da eleição, não consigo encontrar um único argumento que me convença: o nosso sistema eleitoral é totalmente divorciado do que tanto preconiza - a democracia.

Tudo foi feito para dar a ilusão de que o poder emana do povo. Mas não é verdade.

A começar pela forma como os partidos se organizam e escolhem os seus candidatos.

Não são escolhidas as lideranças que despontaram por sua capacidade e preparo; por seus feitos e méritos junto à comunidade onde disputam o voto.

Quem manda, seja cacique, marajá ou raposa, não importa, indica quem vai seguir a sua cartilha. Minimamente serve como trampolim para voos maiores do chefe, quando não para propósitos mais esquisitos, como impedir o desmonte da máquina política, ou embarreirar investigações que comprometam o “esquema”.

Se o partido tem a “máquina” nas mãos - como tiveram Orestes Quércia, Chagas Freitas e Lula, no passado, eles elegem qualquer um, e nós ainda somos obrigados a ouvir que foi “democraticamente”. Como o PMDB do Rio e o PSDB de São Paulo, nos dias de hoje.

Democraticamente, defuntos estão fazendo doações nessa eleição de 2016. Democraticamente, bancos e empreiteiras irrigaram dinheiro abertamente nas eleições passadas. Dinheiro cobrado com juros e correção, como finalmente se conseguiu provar com a Lava Jato. Democraticamente, como dizem todas as notas do PT.

Não é muito diferente nos mandatos legislativos. Como a coisa está montada, dificilmente um chefe de executivo se elege sem maioria no seu parlamento.

E, se não a obtiver nas urnas, tem três meses para “compor” sua base de apoio.

Compor, aqui, é mero eufemismo para comprar. Seja com arranjos de cargos, com distribuição de feudos, ou com um pouco de graxa na maquineta do novo aliado.

Aqui no Rio, onde eu deveria exercer meu voto com peito aberto, a eleição não tem adjetivos.

Vai à frente o Senador Crivella, cuja grande contribuição política à cidade foi… nenhuma.

Foi Ministro de Dilma e tem o apoio de poderosos e emblemáticos caciques: Garotinho e Romário. Sem falar na estrutura familiar de Edir Macedo e sua Igreja Universal. Argh!

Provavelmente vai para o segundo turno com Pedro Paulo, o supersecretário de Eduardo Paes, que governou com a elite política do Estado - Sérgio Cabral, Picciani, Pezão, Cunha. A vanguarda do atraso carioca. Seu “padrinho” é o mesmo que achava o sítio de Lula em Atibaia de “mau gosto”, para não alongar o desnecessário…

Os candidatos de esquerda, em quem já votei tanto para prefeito como para deputado, celebrizaram-se nos últimos anos, por defender um governo que me roubou os sonhos - nem vou falar de viver no tão propalado país do futuro, que já não terei tempo de ver - de ver a Nação unida em torno da ética.

Votaria na nanica Carmen Migueles, se chances ela tivesse além de engordar seu cacife político.

Mas, do jeito que as coisas estão postas, meu voto só vai servir para que todos continuem justificando: a democracia depende do meu voto! Para que ninguém desconfie que ele não muda nada!

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