Cartas ao povo carioca

Não é por já ser Natal na Leader Magazine e minha barba ser branca que espero cartas neste último trimestre. Na verdade, ao contrário das barbas de Papai Noel, ativamente cofiadas como manda uma boa avaliação, as minhas estão de molho. 
Enquanto o bom velhinho, com todo o saco, considera recompensas por bom comportamento no ano em curso, eu, ressabiado, espero cartas com compromissos futuros, mormente o de se comportarem bem nos próximos 4 anos. 
Na véspera das eleições cariocas, ainda estou esperando algumas cartas. Sim, o correio anda arisco, sobretudo após o monumental aparelhamento dos últimos 13 anos, mas a mensagem pode vir por e-mail, por Facebook e/ou o escambau.
Se a esperança venceu o medo em 2002, isso antes de ser derrotada pelo cinismo no mensalão, e muito antes ter sido trucidada pelo 7 a 0 (não houve gol de honra) quando do escárnio no petrolão, foi uma singela cartinha que fez com que Lula fosse a opção de uma legião de eleitores desconfiados. 
Trata-se da situação em que me encontro agora, desiludido e disposto a votar nulo ou inútil em algo novo. Não na oportunidade da famosa carta ao povo brasileiro, mais tarde rasgada pelo PT, quando meu medo era nenhum e minhas certezas, contagiantes. 
Sinceramente, espero uma carta, em que um candidato declare e assine que não apoiará greves de professores, médicos, enfermeiros, motoristas de ônibus, metroviários, que peitará os sindicatos que estão invariavelmente jogando suas categorias contra os interesses da população, especialmente da parcela mais necessitada. Até pode apoiar a dos bancários, que acabará sozinha qualquer dia desses por falta de adesão. 
Portanto, faltam cartas por aqui. Destaco que a espera para o envio nas próximas semanas pode ser fatal para o remetente, pois centenas de milhares de destinatários podem achar que Papai Noel não existe.

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