Ópera no Fantástico

Lula indiciado aqui, Lula réu ali, Lula investigado lá, suspeito acolá, Lula em Curitiba, obstrução em Brasília, na justiça comum e no foro privilegiado. Lula embaixo em Atibaia, em cima no Guarujá, a leste na África, que pula ao norte pra Portugal, envolvido por causa de filho da atual, em causa de sobrinho da ex-mulher, cacifando a amante em São Paulo, entre multidão de amigos da onça, animal que vive na terra do Bumlai, encarregado de arrumar um empréstimo pra pagar o Grande ABC, não o que nunca teve, mas o que não tem mais. Lula flagrado em telefonemas, palestras ao vento, no caminhão de mudanças, beneficiado no Instituto dele, mas que não sabe de nada. Falaram com o Okamoto?

A regra é clara. Quando um jogador marca três gols ou mais em uma mesma partida, pode pedir música no Fantástico. Como a prerrogativa do iluminado artilheiro caiu no gosto popular, adaptações do direito adquirido na tradição televisiva das noites de domingo foram estendidas do meio futebolístico para dias úteis e outros campos, até mesmo a alguns onde a bola é outra, bem mais gorda. Assim, ficou apenas a base três para o cumprimento do regulamento original. E, naturalmente, a política não poderia ser jogada pra escanteio numa situação dessas.

Portanto, mal Zé Dirceu foi preso pela terceira vez, a chacota reinante nas redes foi a de que o guerreiro do povo brasileiro poderia ouvir seu artista preferido na cadeia, à revelia do carcereiro do povo curitibano.

Nessa toada, o que a produção do Fantástico poderia fazer quando um craque marcasse 7, 8, 9 gols em um mesmo jogo? Creio que uma ópera ligeira seria o mínimo, mesmo que a grade da programação dominical tivesse de ser empurrada para segunda-feira.  

Toda essa volta para quê? É que as notícias sobre o novo indiciamento de Lula já não rendem manchetes decentes. Hoje, por exemplo, no Globo, a sua invejável marca perdeu de goleada para a chuva de gols da Câmara dos deputados, 366 x 111; pra pesquisa sobre a disputa entre Marcelos, 51 x 25; pra guerra do tráfico no Pavãozinho e até pro Tite, que aparece de corpo inteiro batendo bola com o pé da página.

De olho na liderança das Eliminatórias para 2018, o treinador da seleção canarinho ofusca quem o tornou vitorioso, ao bancar a Arena Corinthians com a Odebrecht, uma das que lhe davam assistências.

Taiguara, que voltara à cena com a trilha de Aquarius, Oscar de melhor narrativa de golpe em Cannes, deve ter inspirado o nome do sobrinho de Lula que é coadjuvante na jogada apresentada hoje, mas o repertório do prematuramente falecido cantor e compositor é pequeno demais para expressar as habilidades de traficância do tio postiço do homônimo na África.   

Por isso proponho uma ópera para saudar as aventuras do esquecido meliante. O factótum barbeiro não seria de Sevilha, mas de Brasília. Além das inúmeras barbeiragens na execução de todos esses supostos crimes, e a imposição de Dilma como sua sucessora foi a pior delas, a rima estaria garantida. Plim-plim. É fantástico!

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