Velhos problemas, velhas soluções

Dizem os mais velhos, confiantes na sabedoria do tempo, que a solução dos problemas está dada e se apresentará na hora certa, não havendo nada a fazer para alterar a ordem das coisas. “Les jeux sont faits”, como se diz no cassino da vida, ou “Alea jacta est”, a sorte está lançada, como proclamou Julio César ao cruzar o Rubicão.

Einstein postulou o contrário: que nenhum problema será resolvido pelo mesmo grau de consciência que o gerou. Para os advogados, “ex falso sequitur quidlibet” ou de uma falsa premissa todas as derivações são admissíveis e é bem o que estamos vendo na justiça casuística dos nossos dias.

Tudo isso vem no momento em que encontro no sebo do buquinista Olivar, um exemplar da revista “Esprit”, datado de abril de 1966, sobre os estrangeiros na França: os imigrantes, os refugiados, os clandestinos e os apátridas, o êxodo rural, as migrações de mão de obra, o acolhimento, o trabalho, as dificuldades de adaptação.

As estatísticas da época eram diferentes; afinal, datam de 50 anos. Mas os problemas são os mesmos de séculos, de milênios, já que os fluxos migratórios existem desde que o homem é homem. E o que fizeram os políticos, as organizações humanitárias e os líderes influenciadores todo esse tempo? O que costumam fazer: nada. A não ser contribuir para aumentar o preconceito e fechar ainda mais as fronteiras que continuam livres apenas para os peixes, os mamíferos, os pássaros, seres que não pedem passaporte e não conhecem os limites do homem social.

Toda a terra foi povoada pelas migrações. Todos os países se fizeram com imigrantes e um exemplo fácil é o do eldorado americano do século 19.

Para os demógrafos, imigrantes são números: mão de obra para equilibrar o envelhecimento da população. Para os economistas, há que se calcular se o custo da assimilação compensará a geração de riqueza que ele proporcionará. Para geopolíticos que se importam mais com fronteiras do que com pessoas, imigrantes e refugiados são problema humanitário a ser resolvido por siglas como a Associação da ONU para Refugiados ou a Convenção Internacional para a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrantes e dos Membros de suas Famílias. Para os governantes, demandam políticas racionais, pois é mais um emprego tomado do eleitor local.

Ninguém leva a sério a dor do viajante que deixa para trás sua terra natal, mesmo que essa terra seja pobre e infértil. Mesmo contra todos os riscos, ele avança porque ambiciona viver melhor e em liberdade. A aventura é a sua nobreza, a sua liberdade. O risco o anima a partir.

Mas quando pensa que será acolhido no exílio da igualdade, da fraternidade e da liberdade, encontra a exclusão, o preconceito hostil, o pão duro e salgado de um mundo inóspito.

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