Autoexorcismo

O Globo de 16/10, domingo, dia de maior circulação do jornal, estampou em sua primeira página uma manchete bastante reveladora: Em livro, Crivella atacou catolicismo ’demoníaco’ e o ‘terrível mal’ gay.

Parece que nada acontece no país, para o periódico tirar a poeira de uma publicação lançada há 14 anos, que compreende textos sobre o seu trabalho de missionário na África. Ou será que o panorama das eleições do Rio revela outra intenção das Organizações Globo? Afinal, as fotos das sessões de exorcismo são tão chocantes quanto velhas.

Se o povo fosse bobo e visse a Rede Globo, contrariando as instruções que não morreram com Brizola, poderia imaginar que outros interesses nortearam o apoio implícito ao candidato Freixo. Este, por sinal, não perde a oportunidade de acusar a líder suprema da mídia golpista de sustentar o golpe que apeou a sua aliada do poder. Isso para não lembrar diversas ações que visaram a deixar o grande público de fora das grandes decisões do país, desde os tempos da ditadura militar que concebeu, amamentou e tornou adulta a emissora. Plim-plim.

A democratização dos meios de comunicação é uma bandeira do PSOL, escrita no 11º item de seu programa. Daí que me causa estranheza essa súbita exposição do passado do bispo. Seria por causa da ameaça da Record à audiência global?

Como vou votar nulo, e o sensacional furo de reportagem sobre o condenável passado africano apenas corrobora a minha decisão, veria com bons olhos o autoexorcismo do candidato frente às câmeras da Rede Globo. Daria bom Ibope ver o postulante ao cargo de prefeito tirar o diabo do dízimo do corpo da turma da igreja universal.  

Por outro lado do além, seria fantástico, do outro mundo, um verdadeiro milagre ver o professor de História mostrar um pouquinho da matemática que viabilizará a multiplicação de suas promessas com a queda esperada de arrecadação.

Banco Municipal, a esta altura do campeonato, só o da pracinha. Pode até ser na revigorada Mauá, no Porto Maravilha, onde Paes sentenciou que Freixo é melhor que o bispo. Influência da Globo? Vade retro!  Nulo neles! 

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