Duelo de Facções

Dizem que mais vale a expectativa de poder do que a própria condição, por mais discricionário e absoluto que seja o domínio exercido no momento anterior à virtual mudança.

E na cadeia não é diferente. Aliás, muito pelo contrário. É a lei da selva aplicada sem escrúpulos, piedade ou complacência e regulada apenas por outra mais abrangente, a que rege a oferta e a procura.

Não foi por outro motivo que, a partir do momento em que foi efetuada a prisão do chefe do Comando do Centrão da Capital, o estoque de colchões à prova de fogo sumiu do mercado paranaense. A demanda por maços de cigarros paraguaios, moeda corrente no concorrido banho de sol de Curitiba, subiu barbaramente por conta das barbaridades que deverão começar com a chegada do novo xerife sem estrela no peito.

O temido salteador serial, que já comandou a bancada do seu partido e a própria Câmara, tem fama de amigo dos amigos que ficaram, e já mandou avisar que busca um terceiro comando para derrotar o rival vermelho.

Para tanto, o facínora não pensará duas vezes antes de recorrer às Machadadas aplicadas por seu cúmplice vulgo Serginho Ceará, que atuou por mais de uma década no ramo de transporte de combustíveis, setor dominado por milicianos protegidos pela facção criminosa desbaratada no caso Petrolão.

Por outro lado do crime, delatores lenientes ainda encarcerados temem perder a condição de testemunhas premiados pela chegada do líder da quadrilha, usufrutário de trustes, trastes e arquivos formados pelos butins cavados em túneis e obras de arte em geral.

Já pelo lado da lei e da ordem, mesmo na oposição, o bastidor é que o deputado Jean Wyllys elogiou a substituição do japonês da Federal por similar nacional, tendo se oferecido para fiscalizar a legislação de conteúdo local nas ações que visam a preservar os direitos humanos do presidiário, bandeira do PSOL. Lembrou que pode ser cassado por ofensa ao decoro parlamentar e consequentemente preso por causa das cusparadas em desalmado colega da Câmara.

Portanto, Zé Dirceu, recentemente perdoado pelos crimes cometidos no Mensalão, entre um livro e outro para reduzir a nova pena, teme deixar à força a janelinha que tinha voltada para o sol quadrado. Era coisa que só esperava perder quando da chegada do líder de sua organização criminosa, o todo-poderoso que nada sabe, nada vê e nada lê, embora escreva na Folha.

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