Ciranda, cirandinha

 

Agora podem ser explicados os famosos guardanapos, exibidos como bandanas improvisadas em Paris. Não eram piratas saqueadores às margens do Sena que procuravam imitar, pois esses bravos salteadores do Erário, espécie de corsários comandados pelo governador geral, só chamariam a atenção de seus aliados de momento, na verdade rivais, eventualmente a serviço de outros financiadores de campanhas e champanhes.

Sempre me perguntei por que cargas d’água Perrier as delicadas peças de linho egípcio foram deslocadas em bando dos colos para tais cabeças coroadas. Pois agora compreendo que tudo pode ter tido origem ao Sul da capital francesa, especificamente no paraíso de Mônaco, terra de contos de fadas reais, contados em dólares ou euros.

Tudo leva a crer que principado testemunhou o princípio de tudo. Foi na Côte d’Azur que um anel de ouro branco cravejado de brilhantes foi comprado por um falso amigo para presentear a esposa do outro. Falso brilhante, bijuteria barata, acreditava o compreensivo chifrudo, disposto a tirar o sofá da salle à manger a todo custo.  

Na condição de marido, o pobre homem foi o último a saber. Desconhecia que o mimo não era uma simples lembrancinha, um anel de lata e vidro colorido comprado em loja de souvenir para marcar burocraticamente a data. Viu-se enganado por três longos anos, período em que o secretariado passou a rir pelas costas do ingênuo chefe.

Até que, em nova missão para marcar a igualdade, a fraternidade e a liberdade entre eles, entre um bom vinho e outro, o corno foi convencido a cobrir os chifres com serviettes, logo seguido pelos demais membros da corte. O esposo traído só perderia para o então presidente, que jamais sabe de nada. Nem por último.

Anos após esse tórrido affaire, em que favorecidos e favoritas desfilaram por elegantes salões franceses, é numa singela cantiga de roda que podemos desvendar e resumir a história. “O anel que tu me deste era vidro e se quebrou. O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou.”

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